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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

A Thaumetopoea pityocampa, também chamada de processionária, é um inseto desfolhador de pinheiros e cedros. Como outros insetos, passa por várias fases no seu ciclo de vida, de lagarta a borboleta. A fase mais preocupante surge quando as lagartas, depois de se alimentarem das folhas das árvores, descem ao solo para se enterrarem, construindo um casulo e passando a pupa. É nessa fase que agora se encontram: consoante a temperatura, as lagartas iniciam a sua migração desde finais de janeiro até maio. Como reconhecê-las? Em zonas com pinheiros e cedros, podemos observar se existem ninhos: em forma de balão, tecidos com uma “seda” branca, como se fossem teias de aranha. As lagartas são acastanhadas, cobertas de pêlos e costumam deslocar-se em grupo, numa longa fila. E os riscos? É nos pêlos que cobrem o corpo das lagartas que reside o problema: possuem um composto urticante, que desencadeia em quem lhe tocar uma reação alérgica exuberante. Consoante a região do corpo afetada, animais e pessoas (sobretudo crianças) podem desenvolver sinais, mais ou menos graves que, em última instância, podem levar à morte. Nos nossos animais, principalmente nos cães, as estruturas mais afetadas são a face e a cavidade oral – talvez
porque usam muito o olfato e o paladar. Por isso, poderá observar a face inchada, os lábios e a língua (que também pode apresentar uma coloração amarelada ou cinzenta). Muitas vezes, os donos também notam que o animal se baba muito e tem dificuldade em comer. O tratamento é urgente. Quanto mais cedo for iniciado, menores as consequências do contacto com a lagarta: a mais comum é a perda de parte da língua. Muitas vezes, a perda é tão extensa que se torna incompatível com a vida. Outros sinais são a comichão intensa, com vermelhidão, por exemplo, nas patinhas. Nós, humanos, ao manipularmos os ani
mais afetados, devemos usar luvas: só o contacto poderá afetar-nos também. A presença da processionária é um perigo de saúde pública, sobretudo em zonas urbanas. As medidas de controlo devem ser tomadas pelos proprietários/gestores das árvores afetadas: se observar ninhos ou lagartas num espaço público, deverá contactar os serviços municipais. Se na sua propriedade, procure saber quais os melhores métodos para erradicar esta praga. Fica o conselho: nesta época, evite os pinhais. E corra para o veterinário, assim que observar os sinais descritos. Prevenir é o melhor remédio!

 

Telma Gomes

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