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Cai a noite na cidade até ser dia

Há uns anos na praia da Nazaré a Autarquia organizou um passeio noturno até à Pederneira. O nosso guia contou-nos a história e as tradições desta vila piscatória tão conhecida pelos torrejanos. À medida que caminhávamos fomos parando junto das diversas estátuas e monumentos. Reparei que estavam bem iluminados. Tirámos fotografias, conversámos e seguimos caminho. Reconhecemos que era uma forma de fazer outro tipo de turismo. Muito bem pensado. E porque a nossa Autarquia não organiza também uns passeios deste género. Temos um rol enorme de monumentos, estátuas e igrejas. Seria fantástico não acham? Mas, há sempre um mas, não é verdade? Como será possível realizar esta atividade se à noite Torres Novas é uma terra que mergulha na escuridão? Ah pois é. Começando pelo painel de azulejos com a frase “Torres Novas Saúda-vos”; o monumento da Liberdade junto da Escola Prá
tica de Polícia; a avenida; o Jardim das Rosas; o monumento do Dr. Alves Vieira e a estátua de Maria Lamas. Provavelmente haverá também ruelas e vielas completamente negras. Com o fim da noite eis que a aurora acorda cheia de sol ou de chuva. Os monstros escuros hibernam e faço-me à estrada. A pé. Fui pisar o chão mascarado de remendos de alcatrão na estrada da Vila Romana. Aproveitei e visitei o espaço. Bem arranjado, sim senhor. No entanto, reparei que não havia informação junto aos achados. Somente a encontramos dentro da receção. E saliento esta situação, porque por exemplo, uma pessoa invisual não tem acesso a essa informação em Braille. Deveria ter. Aliás deveria de haver informação em Braille também nas feiras cá. Adiante. Deixei os pedaços de história local e fui estrada fora. Uma estrada cheia de buracos e pedras. Vi a tabuleta que dizia: Estrada Real e realmente é uma miséria de se ver e sentir.
Ao longo do meu percurso, vários carros, camiões e bicicletas passaram por mim deixando um rasto de pó e pedras levantadas. Ao chegar à Fonte da Barreta deparei-me com uma fonte completamente abandonada. A água que saciou a sede a tanta gente corre agora sem rumo, sem um fim. Não me atrevi a prová-la. Mas porque não se fazem análises para ver se se pode beber? Choca-me ver estas situações. Caixotes de lixo novos perdidos por ali; estradas macadame junto de casas de habitação. Será que as grandes obras deste ano, não vão passar por lá? E nem fui à estrada da Caveira pois as horas passaram depressa, mas irei quando puder. A nossa terra tem tudo para ser uma bonita cidade de visita durante o ano. Mas infelizmente quem a gere só pensa nisso em tempo de feira medieval e feira dos frutos secos e mesmo assim nessas alturas há muitas lacunas a céu aberto.
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