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Quanto vale a nossa vida

Já alguma vez se perguntaram quanto vale a nossa vida? E a nossa saúde? O dinheiro pode não comprar saúde, mas às vezes deparamos-nos com algumas situações e chegamos a perguntar-nos se realmente é bem assim. Sendo um fã de séries televisivas gosto bastante de acompanhar algumas médicas e tenho assistido a algumas muito boas. Tudo o que se vê é ficção, mas quase, isto porque muitos daqueles dramas podem estar mesmo a acontecer naquele preciso momento. Aí a realidade ultrapassa mesmo a ficção. Recentemente comecei a acompanhar uma série chamada “The Resident”, que acompanha a vida de um médico e do dia a dia do hospital privado onde este trabalha. No último episódio foi diagnosticado um cancro a uma jovem, estudante de medicina, e que fazia voluntariado naquele hospital. A equipa, sua amiga, de imediato se disponibilizou para efetuar uma cirurgia e ajudá-la na sua reabilitação. Tudo bem até aqui, não fosse a jovem uma imigrante ilegal e não ter meios para pagar os milhares que iam ser gastos na cirurgia e na sua reabilitação. A jovem teria que ficar internada pelo menos um ano, na melhor das hipóteses, o que representaria gastos avultados para o Hospital. Salvar a vida daquela jovem ia custar milhares. A vida e a saúde dela tinha mesmo um preço. A equipa de médicos e a administração do Hospital bateram-se de argumentos, e não fosse a persistência e a insubordinação da equipa, que foi contra tudo e contra todos, a jovem não teria tão cedo o tratamento adequado e a sua vida estaria em risco. Se não fosse ali, teria que esperar meses num outro hospital público, e ela não poderia esperar tanto tempo. Eu consigo entender que a gestão de um Hospital acarreta os seus custos, seja nos equipamentos ou com o pessoal. Sim, porque os médicos e enfermeiros também precisam de receber o seu ao final do dia, também precisam de sobreviver. Mas com isto não podemos deixar de pensar, no final de contas, que o dinheiro às vezes é mais importante que a vida de uma pessoa. Isso pessoalmente assusta-me, eu gostava de pensar que isso não é assim, e que todos nós independentemente de ter ou não dinheiro, se a nossa vida estiver em risco, e havendo solução, temos o direito a ser salvos. Infelizmente talvez seja mesmo assim, e a realidade ultrapasse mesmo a ficção. Oxalá que por esse mundo fora não seja assim, haja médicos como os do “The Resident”, porque uma vida humana não tem, nem devia ter qualquer preço.

 

Fábio Carvalho

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