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Política e Religião

Rezar, que sempre rezei, agora é coisa que faço como os crismandos de nossas paróquias… a arrastar. Poesia é inútil. Filosofia é inútil. Ambientalismo é inútil. Jornalismo sério é inútil. E parece que rezar também. Os profetas são fracos. As fórmulas dos demagogos são mais atraentes. Escrevo inutilmente? O desapontamento é duplo e passa pela política e pela religião. Quanto à política, a minha tristeza concentra-se no Brasil, não na sua justiça, que o juiz de Beja tanto influenciou, mas, em Lula, minha imensa deceção. O segundo desapontamento: a religião. Não a religião viva de Jesus Cristo. Mas a religião morta dos nossos dias. Aprendi com os Teólogos da Libertação da América Latina, que o nascimento de uma religião profética nos ensinaria a fazer comunidades de uma nova maneira, combinando ética, inteligência, criatividade e a opção preferencial pelos pobres. Leonardo Boff fazia-me lembrar os profetas de Israel e Lula remetia-me a Esdras do Antigo Testamento, que denunciava os ricos e ajudava os pobres, sem jamais fazer alianças espúrias. Então acordei do sonho de libertação e estava em Portugal. Estava em Torres Novas. Cansado e a pregar palavras em línguas sem fogo, a tentar fazer todos pensarem de maneira igual, sem sabor, sem alegria, para justificar a monotonia da nossa triste e conservadora religiosidade portuguesa. Agora, inimaginavelmente fiquei silenciado. Em silêncio, obsequioso, como dizia o papa Bento-Ratzinger. Silencio-me por estar cansado. Cansado de tentar, cansado de ver a profecia desvanecer-se e a   idiossincrasia prosperar. Nesta ediç ão, a profecia do ambientalismo. Renovam-se as esperanças e voltemos a rezar.

Durval Baranowske, diretor

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