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Portugal é o rosto da Europa

Fernando Pessoa no seu poema “O dos castelos”, da obra “Mensagem“, colocou a Europa como se fosse uma personagem principal, “posta nos cotovelos”. Contudo, a personagem em destaque no mesmo poema é Portugal, porque lhe chama rosto dessa Europa, conferindo-lhe a importância própria da porta de entrada ocidental do continente europeu. É claro que os espaços referenciados são o marítimo e o aéreo, hoje cada vez mais importantes no que se refere à globalização, aos negócios, exportações, ao turismo e à cultura. Tenha-se em conta que a “Mensagem” foi publicada em 1934 e o poeta sonhava com o chamado “quinto império”, como o padre António Vieira, mas no nosso tempo, obviamente, tendo-se perdido esse sonho que vem da Bíblia, outros desafios se levantam ao país, e cada vez mais exigentes. Neste contexto, não deixa de ser significativo que quando passava os olhos pelo poema, também se ficava a saber que o Eurogrupo ia ser presidido pelo nosso ministro das finanças, Mário Centeno e se pagava ao FMI.

Por outro lado, os jornais dão a conhecer um investimento da Google em Oeiras, a envolver umas centenas de postos de trabalho, ao mesmo tempo que também a Amazon vai instalar-se no país e a hotelaria a querer expandir-se no Algarve e Alentejo. Entretanto, em Davos, na Suíça, reuniu-se a elite económica e política mundial, donde parece ressaltar o meio-termo entre globalismo e nacionalismo, tendo o discurso de Trump entusiasmado pouco. Mas não somos só europeus, até porque abrimos as portas ao mundo, por isso a África e o Brasil têm de continuar nos nossos horizontes, além de Timor, Macau e Goa. Por isso, hoje, além de continuar a ser rosto da Europa, o país tem de ver o mundo todo e, como se depreende, de forma diferente do princípio do século passado.

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