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Um Mundo a Preto e Branco

No princípio a terra era informe e vazia. Fez-se a luz de dia e a treva à noite. As águas reuniram-se, apareceu terra seca, ervas com semente, árvores com fruto. Veio o sol, a lua, as estrelas. Nas águas multiplicaram-se os seres, os monstros marinhos, no céu as aves, segundo as suas espécies. A terra produziu os animais domésticos, os ferozes, os répteis. Então apareceu o homem a dominar peixes, aves, animais domésticos, répteis, ervas com semente e árvores de fruto. E a todos os seres vivos foi dado o alimento da erva verde pela terra produzida. Tudo em sete dias, o último de descanso, sem que se saiba quantos os dias de Adão e Eva no paraíso! Depois foi reconhecido que a grande maldade dos homens corrompeu a terra. E Noé construiu uma arca, dividida em compartimentos, para guardar, de todos os animais, puros ou impuros, um macho e uma fêmea. E por muitos dias a água cobriu a terra, e quando fi nalmente desceu, soltou-se um corvo, depois uma pomba que voltou com uma folha verde de oliveira. Veio a paz, não entre os homens, e a natureza foi grande durante muitos séculos. Até os homens se tornaram muitos, cada vez mais sôfregos, sem compreender que só se cresce, verdadeiramente, em harmonia com todos os seres vivos, plantas e animais. Antes que seja tarde! Nesta arca, imensa, do tamanho do mundo com água, terra e céu. E todos os animais e plantas: os que falta descobrir antes que se acabem; os que já conhecemos e estão a desaparecer; mesmo aqueles, muitos já, que não sabemos se ainda estão a tempo de ser salvos. Para que a terra, o planeta ainda colorido, não torne a ser, como era antes de haver vida, apenas a preto e branco.

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