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A Doutora Nanny

A minha curiosidade era grande. Durante a semana passada o canal de Carnaxide anunciava a estreia dum novo programa intitulado “ Super Nanny”. O programa visa apresentar casos de filhos com problemas em aceitar as regras dos pais. No meio disto entra uma psicóloga para assistir uns dias ao comportamento das crianças e depois impõe as regras. No domingo passado assisti a esta tão divulgada estreia que me deixou completamente indignada. Não gostei. E pergunto como é possível uma mãe entrar num jogo destes, expondo a sua filha num écran pequeno onde milhares e milhares de pessoas a vão ver? Seria necessário esta mulher abrir as portas da sua casa ao mundo e colocar a filha nesta situação ridícula? Será que esta mãe não pensou que a sua filha poderia ser chacota na escola por parte dos colegas?
O que mais me chocou foi a chantagem emocional que a criança fez. As palmadas que deu à mãe e esta ficar sem reação. Será que se lhe desse um sopapo a casa ia cair ou iria ser acusada de violência doméstica? Será que estou a ser muito radical por não ser mãe? Pergunto a vós pais e filhos da minha geração se nunca apanharam dos vossos pais? Dos vossos professores? Dantes havia muita violência contra menores. Mas ninguém denunciava. Porque muitos pais diziam à professora que se os filhos se portassem mal, podia bater-lhes. Sou filha única. Tive as minhas birras, fazia coisas do arco-da-velha pois tinha a liberdade de subir e descer figueiras, de andar no galinheiro da minha avó de vassoura em punho a atormentar as galinhas. Mas fui educada
a ter respeito pelos meus pais e pelos outros. Nunca fui uma menina de fazer chantagem e pedinchar este ou aquele brinquedo. Os meus bonecos eram de plástico sem um olho, sem uma perna. Tinha bonecas que fechavam e abriam os olhos com vestidos bonitos, mas ligava mais aos outros. Hoje vejo que muitos pais para verem os filhos sem birras cedem aos caprichos dos petizes comprando-lhes tudo e mais alguma coisa e passado pouco tempo eles deixam de se interessar e vai tudo para o caixote no sótão. Muitas vezes os filhos precisam mais de amor do que bens materiais. E este programa televisivo poderia ter outros caminhos mas a guerra das audiências é mais importante do que o anonimato das crianças.

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