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A felicidade de dar e de se dar

“A felicidade está mais em dar do que em receber”. É São Paulo quem nos recorda esta afirmação quando se despede dos presbíteros de Éfeso, atribuindo-a a Jesus. Evoca-a para a confirmar com a sua própria experiência de trabalhar com as suas mãos para prover às suas necessidades e dos seus companheiros e também para socorrer os mais desvalidos (At 20, 33-34). O Apóstolo, na sua fadigosa missão, encontrava ainda tempo para fabricar tendas e sentia satisfação nesse trabalho pois, assim, podia ajudar outros. Ou seja, sentia-se feliz porque trabalhava para ajudar.

Num ambiente de consumismo e indiferença, esta afirmação pode parecer utópica e estranha. Na nossa forma de pensar e de agir achamos que a felicidade está em receber e que dar é um sacrifício que empobrece. De facto, parece que toda a gente associa a alegria ao receber atenções ou presentes e sente dificuldade em partilhar e em se sacrificar pelos outros. A mentalidade reinante sensibiliza-nos mais para receber do que para dar. Os pais e adultos habituam, desde cedo, os mais novos (crianças, adolescentes e jovens) a receber prendas mas raramente os despertam para a partilha, atenção e ajuda aos que mais precisam. Serão mais felizes só por receber? Descobrimos, em contrapartida, muita gente que encontra a felicidade em dar e em se dar. Há bastantes pessoas, designadamente jovens, que se dedicam ao voluntariado em diversas áreas – social, cultural e religiosa – por vezes em regiões distantes, pobres, ameaçadas por guerras. Encontramos quem se dedique graciosamente ao cuidado dos mais desvalidos, doentes, pobres, pessoas sós, refugiados. São muitos os que tocam as feridas das pessoas para as curarem. São também numerosos os colaboradores que assumem a orientação de Instituições de Solidariedade Social, de forma gratuita e corajosa, enfrentando problemas e pouca colaboração dos governantes e até dos possíveis interessados. E, apesar das dores de cabeça, vivem contentes. De facto, como concluem as próprias ciências sociais, ser generoso e abrir as mãos para a partilha gera uma
personalidade positiva e irradiante, faz bem à saúde física, psíquica e espiritual. Estas observações confirmam a mensagem do Evangelho de que é dando a vida que se alcança a vida plena e feliz. Dar e darmo-nos faz-nos bem à autoestima e à saúde. Mãos abertas tornam as pessoas abertas, irradiantes, felizes. Mãos fechadas geram personalidades também fechadas. Partilhemos, portanto, o afeto, o tempo, os bens, a dedicação. Não nos apressemos apenas para receber mas adiantemo-nos também para dar. Preparemos e ajudemos os mais novos a partilhar. Educar para o dom é contribuir para o crescimento em todas as dimensões humanas e para tornar as pessoas mais felizes.

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