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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Quem me conhece e ouve falar das peripécias veterinárias, já me deve ter ouvido dizer: “tremo mais quando vacino um Pinscher que quando vacino um Pittbull.” É verdade, os pequenitos, de pequeno só têm o tamanho: são aguerridos e traquinas e, sempre que podem, gostam de trincar o veterinário, mesmo depois de ganirem no consultório de tal modo que assustam qualquer um na sala de espera. Talvez por passarem mais tempo ao colo dos donos, talvez por os donos premiarem a sua mascote quando esta tenta morder “o mau do veterinário”, ou, simplesmente, porque têm uma “garra de leão”, o facto é que se os cães maiores tivessem este temperamento estávamos tramados. Então, por que são os grandes os mais temidos, e por que existem raças potencialmente perigosas? Na generalidade das situações, o problema dos cães de maior porte nem é tanto o seu caráter, quando adequadamente treinados e socializados: até podem ser animais que não tendam à agressividade. O problema é o “estrago” que apenas uma mordida pode fazer, e o perigo que um mau treino acarreta para o comportamento do cão. Assim, estabeleceu-se uma lista de raças potencialmente perigosas. Em Portugal, são sete as raças que a integram, bem como os cruzamentos destas resultantes: Cão de Fila Brasileiro, Dogue Argentino, Pit bull terrier, Rottweiller, Staffordshire terrier americano, Staffordshire bull terrier, Tosa inu. A criação desta lista permite regular a detenção de um cão destas raças, o que, por um lado, pode prevenir a ocorrência de ataques, ao obrigar, por exemplo, que animais destas raças circulem na via pública com trela, açaime e com o seu detentor e, por outro lado, permite uma maior consciencialização e responsabilização de quem pretende adquirir um destes animais. O facto é que já convivi com algumas destas raças e eram cães absolutamente extraordinários: meigos, inteligentes, trabalhadores (sim, há cães que precisam e gostam de trabalhar para se manterem estáveis e estimulados), confiáveis. E outro facto, resultante de um trabalho de grupo que fiz a respeito da agressividade canina a humanos: de 155 casos documentados nas entidades competentes, uma das raças mais representadas nos ataques foi o… Caniche! Há raças de cães e há pessoas, e há uma raça para cada perfil de pessoa. Informe-se bem antes de adquirir qualquer cão, rafeiro ou de raça. Informe-se se pode treiná-lo, informe-se das suas necessidades. Ter um animal não é um direito, é uma responsabilidade. Como sempre ouvi o meu pai dizer: “Não há raças boas. Há donos e donos.”

Telma Gomes
* Médica veterinária telmaveterinaria@gmail.com

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