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A morte e os seus rituais

O ano de 2017 foi um ano negro para Portugal. Os incêndios devastaram a floresta, ceifaram vidas humanas, deixando famílias e amigos em profundo sofrimento. O país viveu essa calamidade e nunca mais se vai esquecer. É complicado e revoltante enfrentar uma morte. Em Torres Novas e concelho assistimos à partida de pessoas que faziam parte do nosso quotidiano. Viajavam connosco no urbano; conversávamos no café; cruzávamo-nos na rua. E agora sentimos um vazio com essas perdas. Se morássemos numa cidade enorme seria um pouco diferente. Sabemos todos que quando nascemos um dia morremos. Somos passageiros desta vida terrena que sem hora marcada embarcamos na viagem para o outro lado. Mas para onde va
mos? Quem nos vai guiar nesse novo caminho ora escuro, ora brilhante? Será que vamos mesmo voltar um dia? Em forma de quê? Uma flor? Um animal? Uma criança? Cada religião tem o seu culto e o seu ritual para a morte. No Cristianismo acredita-se na ressurreição e o Dia de Finados é uma data especial para os cristãos que oram pelos seus mortos. No Budismo após sete dias da morte, familiares e amigos reúnem-se numa festa ao ar livre com o nome de Obon. Enfeitam o templo com lanternas coloridas e velas. Dançam ritmos tradicionais e rezam pelos que já se foram. No Hinduísmo após a cremação a família é considerada impura e deve tomar um grande banho ao voltarem para casa. O período de reclusão pode demorar
de 7 a 40 dias. Podem comer coisas leves, oram e não podem ir ao templo, nem ao mercado. São alguns exemplos de algumas religiões. Provavelmente os mais céticos não perdem tempo a analisar a morte em si. Nasce, morre-se. Ponto final. Eu por acaso vejo a morte como algo estranho. E para conseguir superar o medo interior costumo dizer que o corpo morre mas a alma anda sempre por aí. E não é anormal sentir a presença etérea do meu pai. Pois nos momentos mais duros da minha vida sinto sempre a sua mão a proteger-me. E sei que não sou a única a sentir isso, há pessoas que me dizem o mesmo em relação aos seus entes queridos. Alguém escreveu: “ A morte é o maior mistério da vida”.

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