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Mas afinal quem é que é o maestro?

A história conta-se em poucas palavras, mas é bastante curiosa e digna de ser dada ao público leitor.
Em Torres Novas, por volta dos anos 1963/64, existiram dois corais, o Choral Phydellius e o Coral Torrejano. O fundador do Phydellius, Fernando Cardoso, estava na altura no Ultramar a cumprir serviço militar e prestes a regressar. Eu, que tinha entrado com a ajuda de mão amiga do saudoso António Lopes, em 1962, prestei provas ainda ao maestro Adelino Vieira Santos e fui colocado no naipe dos tenores, uma maldadezinha que não se fazia a uma voz grave como a minha. Ou seja, cá o “tenor”, fosse no “Josezito já te tenho dito”, fosse no “Ampurdão”, esganiçava-se e espremia-se tanto, que ficava aflito em dar as notas mais agudas. Entretanto, o regresso do Fernando Cardoso, ansiado por muitos estava na ordem do dia e gerava conversas e divisões, o que levou à realização de uma reunião na sacristia da igreja do Salvador, presidida pelo padre João Bento, no sentido de se alcançar uma solução que agradasse a ambas as partes. E foi dessa forma que o padre concluía com uma decisão num mínimo salomónica: “O maestro Vieira Santos dirigia em público as peças que ensaiasse e o regressado Fernando Cardoso dirigia as peças por ele ensaiadas”. Enfim, uma solução que era mais uma confusão que outra coisa. E é nessa altura que o elemento Jorge Morte pede a palavra e pergunta: “Afinal, quem é que é o maestro?”. O condutor da reunião ainda disse que aquilo era uma ingratidão, mas o que de facto aconteceu foi a divisão dos seguidores do Adelino Vieira Santos e do Fernando Cardoso. Aqueles, mais tarde, fundaram o Coral Torrejano, dirigido pelo referido Adelino, os restantes esperaram pelo Fernando Cardoso e ensaiaram no duro, pela sobrevivência do Phydellius. Que me recorde os dois coros atuaram na mesma noite em separado, numas sempre famosas Festas do Castelo, com uma rivalidade nada compatível com a boa música coral. Os anos foram passando, o Coral de Torres Novas durou poucos anos e muitos dos seus elementos regressaram ao Phydellius, com as pazes feitas que só a música coral e o canto em conjunto proporcionam.

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