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Deus nos abençoe

No primeiro dia do ano a Igreja invoca para todos a bênção de Deus. Num mundo laico e pouco praticante pode parecer uma proposta estranha e desadequada. Mas, na realidade, as pessoas mostram-se interessadas na bênção de Deus e, em variadas circunstâncias, pedem aos ministros da Igreja a bênção como fonte de proteção e de paz. A bênção realça uma imagem gratuita e confiante da religião. Esta não é apenas um sistema de preceitos, obrigações e ritos. Confiar em Deus e viver em comunhão com Ele, é um dom que enriquece, um teto que nos protege. Por isso, pedir a Deus que nos abençoe é uma atitude de humildade e confiança na Providência divina. A palavra bênção deriva do latim “benedictio”, do verbo “benedicere”, que significa “bendizer” ou “dizer bem” de alguém. Leva-nos, portanto, a bendizer a Deus porque acreditamos que Ele gosta realmente de nós, tem apreço por nós e, portanto, “diz bem” de nós. A Sua glória é que todos possamos viver em plenitude. Nesse sentido nos protege e nos abençoa. O gesto de pedir a bênção promove uma forma de pensar e de agir positiva e feliz. Desperta-nos para uma atitude de reconhecimento dos muitos dons que enchem a nossa vida. Se refletirmos bem, tomamos consciência de tantas bênçãos que recebemos, designadamente no Natal, como o afeto da família, o encanto das crianças, as prendas e atenções. O mistério do Natal cristão é uma fonte de bênçãos pois, em Jesus, como afirma São Paulo, fomos abençoados com toda a espécie de bênçãos espirituais. Por vezes, apenas notamos o que nos falta ou o que outros têm e nós não. Esta perspetiva gera descontentamento e inveja. Mas, se dermos atenção aos bens que recebemos, encontramos muitos motivos para dar graças a Deus e adotar uma atitude agradecida e benevolente para com todos. A bênção litúrgica do início do ano convida-nos a valorizar esta dimensão da fé todos os dias. De facto, Deus cumula-nos com os seus benefícios ao longo de todo o ano. Invoquemos, portanto, a sua bênção como primeiro gesto do dia, benzendo-nos e entregando o nosso dia à Sua glória. Manifestemos o nosso reconhecimento na altura da refeição fazendo a bênção da mesa. Recebamos a bênção da Eucaristia para que a nossa vida quotidiana seja iluminada pela sua presença. Não deixemos de realçar também a bênção dos sacramentos, designadamente do matrimónio, A consciência da bênção pode educar-nos para uma existência cristã mais jubilosa, deixando transparecer a alegria da fé. Leva-nos a prestar atenção às marcas de Deus na nossa vida, nos outros e no mundo. Pode, nesse sentido, ajudar-nos a vencer a tentação do individualismo, hoje tão forte, e a pôr de lado o tom lamuriento e saudosista, tornando-nos, assim, uma bênção, para todos irradiando a paz e a alegria.

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