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Partiu o nosso Canais

Joaquim Canais Rocha foi nome grande de “O Almonda”. A sua História está ligada à do Almonda e vice-versa. Partiu na terça-feira, dia 2, do novo ano com 82 anos, vitimado pela doença. Redator do Desporto e cronista de Torres Novas fez páginas e páginas de estórias da cidade que tanto amava. Aprisionado no tempo do Estado Novo, era um Jornalista “à antiga”, colocava Torres Novas à frente de tudo o mais. Fosse no desporto, na cultura ou qualquer outra área, os feitos da sua cidade e do concelho é que lhe importavam. As suas “Crónicas do Quotidiano” são também, sem réstia de dúvida, testemunho de décadas do desenvolvimento de Torres Novas. Foi diretor do Cine-clube, fundador do Clube de Campismo Torrejano, colaborador do Teatro Virgínia e fundou a revista “Sinopse“, dedicada ao cinema. Durante alguns dos anos 70 foi um dos principais organizadores da Mostra Internacional de Cinema de Torres Novas, onde eram apresentados filmes em antestreia nacional. Homem simples, nada dado a conflitos, ganhava espírito crítico quando se tratava de escrever sobre a sua terra. Denunciou, elogiou, comentou e vibrou com a sua cidade. De tratamento fácil, dócil e atencioso, assim poderemos descrevê-lo em poucas palavras, porque essas nos custam agora a redigir. Um marco vivo da cidade e do jornal “O Almonda”, que todos nós aqui sabemos que ele tanto amava. Trabalhou mais de 50 anos na Gráfica Almondina, durante os quais sempre manteve uma colaboração com o jornal e há mais de uma década que nos visitava todos os dias aqui na redação, não por obrigação, mas por amor. Em boa hora a direção de “O Almonda” se lembrou de o homenagear em setembro passado, pois assim conseguimos ver o brilho de felicidade nos seus olhos. Obrigatoriamente iremos falar mais de Canais Rocha nas próximas edições, por agora apenas quisemos dar notícia do seu desaparecimento. Até sempre amigo Canais.

 

Um Senhor

Por: Célia Ramos

Um grande senhor, assim era o nosso querido Senhor Canais. Diariamente fazia-nos uma visita nas instalações do nosso Almonda. “Hoje está fresquinho”, dizia acerca do tempo que se fazia sentir na rua. Depois, depois sentava-se e as conversas fluíam, como as cerejas, pois então. Gostava tanto de partilhar as suas memórias, e eu ávida de ouvir as suas histórias, deliciava-me por as ouvir. Sem se vangloriar, pois a humildade estava sempre presente. Tão humilde este grande senhor! Outras vezes trazia novidades e sugestões de reportagem, não fosse ele o nosso eterno jornalista. Até que, se levantava num pulo, depois de olhar para o relógio. “Tenho de ir às compras para a madame”. E lá listava as compras que tinha a fazer para a sua Clarinha. Sempre o pensamento e toda a atenção para a sua Clarinha, a sua companheira de uma vida cheia. “Obrigada Senhor Canais”, agradecia eu no final de cada fecho de edição, ao dia de terça-feira. “Não tem nada a agradecer” respondia com aquele sorriso. Sempre aquele sorriso. Um sorriso amável, sincero, contagiante. Um verdadeiro gentleman. Um verdadeiro senhor. De uma educação exemplar, não se ouviam palavras maldizentes ou de crítica. Mas, se críticas houvesse eram sempre, sempre construtivas e tinham por base a esperança de um amanhã melhor. Ele, o nosso Senhor Canais, completou no dia 3 de dezembro, 82 anos de idade. Telefonei-lhe para o parabenizar. Atendeu-me a chamada já a partir do hospital de Tomar onde estava internado. Apesar desta privação, estava bem disposto. Sempre bem disposto. Era assim o nosso “colega” Senhor Canais. Mais do que um colega, um sábio professor, um amigo admirável, um companheiro assíduo nesta corrida que o nosso Almonda vai fazendo rumo aos 100 anos de idade. O ano em que O Almonda celebra o seu centenário fica assim marcado por esta perda para nós, mas por este ganho para o Céu que tem a partir de hoje mais uma estrela a brilhar. Até um dia Senhor Canais!

 

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