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Criar uma cultura de Natal

O Natal traz ao de cima os anseios de fraternidade, proximidade e partilha que moram no coração de todos os humanos. Por isso, reclamamos que o Natal não seja apenas um dia mas um estilo de vida permanente. E temos razão pois o significado do Natal é o de nascimento não só de Jesus, mas de uma nova forma de viver, de um novo estilo. Jesus veio habitar entre nós para criar uma nova situação para a vida de todos, uma situação para permanecer ao longo dos tempos. Fez-se próximo para nos aproximar uns dos outros, partilhou a nossa condição e tornou-se irmão primogénito de todos os homens para criar a fraternidade universal. Pelo próprio exemplo ensinou-nos o caminho da paz e da partilha que passa pela humildade e pela confiança na humanidade. É o caminho que nos mostra ao apresentar-se como simples criança indefesa que nos estende os braços e sorri para nós. No sentido evangélico profundo, o Natal não é um dia mas uma cultura, uma forma de pensar e de viver. Foi essa a missão que Jesus veio realizar e confiou aos crentes, aos seus discípulos, para a prolongarem por todos os tempos com a força do Espírito Santo. Fazer do Natal uma cultura, viver e irradiar a fraternidade, a paz, a humildade e a partilha é, portanto, a nossa missão de crentes. Por isso, é descabido, da nossa parte, lamentar o mundo por não viver o Natal todos os dias. De lamúrias estão as pessoas cansadas. A nós pertence fazer algo de positivo para irradiar à nossa volta o espírito de Natal. Está ao nosso alcance avançar nessa direção cultivando os valores que caraterizam o Natal, procurando que estejam visíveis no nosso quotidiano. No menino reclinado no presépio resplandeceu a glória de Deus, a sua bondade, beleza e majestade. É na simplicidade e humildade de um estábulo que Deus se torna visível a nossos olhos. Como dar hoje visibilidade ao mistério de Deus que nunca ninguém viu? Precisamos de valorizar e dar conteúdo aos sinais do Natal. Eles estão espalhados por toda a parte: luzes nas casas e nas ruas, música, presépios lindos e variados, reunião da família, presentes natalícios, atenção e partilha com os mais desfavorecidos. Estes sinais são significativos se corresponderem a uma forma de viver, se forem expressão e proposta de uma mudança de vida. Aqui está a dificuldade. Na verdade, podemos mostrar exteriormente estes sinais e imagens natalícias e continuar instalados no nosso individualismo e comodismo. De facto, as tradições natalícias, ricas de espiritualidade e de humanismo, correm hoje o risco de serem invadidas pelo materialismo e pelo consumismo e de se tornarem, assim, vazias de significado. Por isso, testemunhar o espírito de Natal é mudar, é passar do individualismo à comunidade, do medo à coragem, do egoísmo à partilha, é sair da nossa concha para nos tornarmos próximos, capazes de acolher, comunicar, partilhar. Foi nesta direção que o Advento nos convidou a preparar o Natal: “Convertei-vos. Endireitai os caminhos do Senhor”. Por isso, promover a cultura de Natal é contemplar e converter-se à simplicidade e humildade do presépio.

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