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Avivar a esperança

Em cada Natal se repete a mesma mensagem e sempre encontra eco profundo no coração de toda a gente, crentes e não crentes: votos de paz, de fraternidade, de alegria e de amor sobretudo aos mais desfavorecidos. Sinal de que correspondem aos anseios mais profundos do coração humano. Podemos esperar que a repetição crie o hábito, ou seja, que, por tanto repetirmos estes votos, eles se enraízem no íntimo das pessoas e influenciem cada vez mais o seu estilo de vida quotidiano. É a utopia que exprimimos quando desejamos que todos os dias sejam Natal. Estes anseios profundamente humanos mostram-nos como toda a gente precisa da esperança, todos sonham com uma humanidade mais feliz e uma vida mais plena. Paralelamente a este sonho, encontramos também muita gente cristã desanimada, numa atitude de pessimismo em relação ao presente e ao futuro, sem razões para ter esperança. Como podemos ter alegria e esperança se a vida nos reserva tantos sofrimentos e desilusões!? Como confiar na vida e na sociedade se estamos envolvidos pela fraude, pela desorientação e pela crise ética? Ao ouvirmos as pessoas com mais idade e maior experiência de vida ficamos com a impressão de que há mais razões para o pessimismo e para desânimo do que para a esperança. O advento e o Natal ensinam-nos a avivar a esperança mesmo nas adversidades e nos medos. Qual o fundamento da esperança do Natal? Apenas a vontade e as capacidades humanas ou as pers- petivas positivas da sociedade? A razão principal para termos esperança de que o mundo e as pessoas podem ser melhores é que Jesus veio habitar no meio de nós e o seu nascimento é como um rebento novo que brota de um tronco velho e carcomido. Jesus oferece uma fonte de renovação comunicando-nos a força do Espírito Santo que faz germinar a terra para além das potencialidades do terreno. É a vinda de Jesus, a sua Encarnação que nos garante a possibilidade de um mundo novo, é a Sua Ressurreição que nos dá uma razão sólida para esperarmos que, mesmo no cenário da cruz e da paixão, brilha a luz da ressurreição que é um novo começo. As razões da nossa esperança cristã não se fundamentam só nas nossas possibilidades nem abrangem apenas o presente. Frequentemente as pessoas mostram-se saudosas dos tempos idos e lamentam o presente, como se os bons velhos tempos fossem ideais. A esperança, porém, convida-nos a olhar o futuro e a descobrir os sinais promissores mesmo no deserto espiritual que nos tenta ao de- sânimo. “Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias, correm sem se fatigarem, cami- nham sem se cansarem” (Is 40, 31). Precisamos todos de avivar a esperança, de olhar em frente confiantes em Deus que, mesmo num terreno cansado, pode fazer brotar um jardim.

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