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Pode-se calar um jornal?

Nestes dias, a atenção dos leitores voltam-se para as urgências do Hospital de Abrantes e acompanhámos, com especial reverência, o testemunho de pessoas reais, nas suas horas de sofrimento. Na verdade, para os seus familiares e para aqueles que os amam, que presenciaram os seus dias de calamidade em Abrantes, trágicas cenas, revelaram uma urgência maldita. Não podemos nunca nos esquecer, que há mortes nos hospitais, mas morrer à espera, sem explicações? O corredor das esperas do Hospital de Abrantes provoca revoltas, não porque os jornais o querem, mas porque os seus factos assim determinaram. E muitos doentes estão a ser mal acomodados, em consequência das suas fragilidades sociais, num embate frontal com os interesses dos responsáveis dessa política. Não é “O Almonda” quem difama o Hospital de Abrantes, mas o seu modo de ser. As queixas, de ponta a ponta,  atraíram sobre esta instituição um medo mortal. Numa aliança com o poder político, as pessoas temem ser por eles esquecidas. Temem ser tratadas com escancarada crueldade e frio cinismo. E, finalmente, condenadas à pior e mais cruel de todas as enfermidades: a espera hospitalar. Na forma como nos transmitiram as suas experiências, os pacientes relatam que ali há uma densa e tumultuosa  série de circunstâncias que compõem os instantes de internamento  dos doentes. A cruz, a solidão, a humilhação pública, a deceção, a vergonha e uma única palavra: sofrimento. É o que se testemunhou na nossa reportagem acerca das urgências em Abrantes. E para tanto, basta analisar os testemunhos e comentários das redes sociais do jornal “O Almonda” acerca dessa matéria. Não obstante, a feroz adversidade com que essa administração hospitalar do Médio Tejo  responde à imprensa. Deixa tudo ainda por se esclarecer. Desconfianças e suspeitas graves pairam, sim, sobre estes serviços. Mas um processo formal contra um jornal, não tira dos seus responsáveis a indignação de um povo. E agora, de forma avassaladora, esta mesma instituição: adverte, capitula, ameaça o nosso jornal, numa atitude arrogante de quem insiste quebrar, quando o momento seria de concertar. Pode-se, sim, calar um jornal, mas nunca a evidência das suas visões, a verdade das suas palavras, a força do seu espírito.

Durval Baranowske, diretor

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