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Um novo Neorrealismo

Numa conversa em torno da educação e cultura, veio naturalmente a literatura, e entretanto já se falava de escritores ribatejanos, donde sobressaíram os nomes de Alves Redol e Soeiro P. Gomes, e todos os participantes tinham algo a dizer, o que achei muito bom, pelo interesse demonstrado. Também alguém dizia ser necessário um novo Neorrealismo. Quem andou pelo Secundário terá aprendido as caraterísticas gerais da corrente literária, das décadas de 30 e de 40, do século XX e passou os olhos pela obra “Gaibéus” de Redol ou pelos “Esteiros” de Soeiro. São neorrealistas cujas obras nos passaram pelas mãos, como especificidade as personagens são traba- lhadores agrícolas riba- tejanos ou vindos da Beira Baixa, a labutar arduamente na lezíria. Seguem o marxismo-leninismo como ideo- logia e denunciam as desi- gualdades sociais e a exploração do homem pelo homem. Interessam-se pela transformação humana do mundo e dão relevo à mulher, em algumas obras. Como marca também, ao contrário do Naturalismo do século XIX, em que as mazelas da sociedade eram vistas com pessimismo, es- tes escritores são ativistas políticos. É importante a consciência de classe para assumir as lutas sociais. Mas não foram só os escritores do ribatejo a conduzirem esta nova corrente literária, pelo que lembraria aqui Ferreira de Castro com “A Selva”, Manuel da Fonseca com ”Aldeia Nova” e Fernando Namora com “As Sete Partidas Do Mundo”, entre outros. É claro que estando nós no século XXI, os enquadramentos são outros, as moti- vações e estéticas são diversas, sendo assim, diria por outro lado que as injustiças sociais e a luta de classes se mantêm em muitos aspetos, inclusive na maior valorização do salário do homem relativamente ao salário da mulher, em alguns setores. Exploração de quem trabalha haverá sempre, infelizmente. Hei de dizer que em todas as artes como no tempo nunca se anda para trás, e uma sociedade esclarecida provocará certamente novas abordagens.

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