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Carta ao Director

A última edição do Almonda deu grande destaque ao Hospital de Abrantes e em particular sobre a situação das urgências. Sobre estas, o Almonda colocou um conjunto de perguntas ao Conselho de Administração do CHMT, que respondeu na minha opinião de forma insuficiente e que importa esclarecer:

O Conselho de Administração sabe, pois seria grave que não soubesse, que muitos doentes permanecem nos corredores das urgências horas e dias pela simples razão de não haver capacidade de internamento, como também existe pressão para dar alta prematura aos doentes, factos que testemunhei e que muitos problemas me causaram como certamente a outros utentes que têm a infelicidade de lá irem parar.

Quanto à primeira situação tive um familiar que passou 30 horas numa maca num corredor com coluna fracturada em duas vértebras a levar encontrões na maca sucessivamente por falta de espaço e a ter cuidados de higiene de forma inadequada à sua situação clínica, pois manteve-se ali demasiado tempo, exactamente por não haver vaga para internamento. Como a única TAC foi feita após a chegada ao hospital para ser feito o diagnostico, só 5 meses depois e perante o quadro clínico, foi efectuada nova TAC, onde foi identificada uma nova fractura noutra vértebra. Fica-me a dúvida se tal não aconteceu por estar tantas horas naqueles corredores e naquelas condições, com pessoal reduzido e cansado.

Quanto à outra situação, um outro familiar que foi internado nas urgências e durante a semana deram-lhe alta três dias seguidos e nessas mesmas noites por agravamento do quadro clínico, voltou a ser internado. Tudo isto obrigou a chamadas de INEM, passagem pelo hospital de Torres Novas, antes de seguir para Abrantes. Apesar de insistir com os médicos de que não estava em condições de ter alta e não me ouvirem, pois era enorme a pressão para aliviar os corredores. Acontecendo até um caso insólito, de um médico garantir que ia ficar internado e quando cheguei a Torres Novas já estavam a telefonar para ir buscar o doente pois outro colega mais permeável à pressão, na substituição do turno, deu alta ao doente. Escusado será dizer que nessa noite voltou para lá de novo.

Tanto sofrimento para os doentes e familiares atinge a desumanidade.

Sobre este último caso fiz uma reclamação com com 5/6 folhas e até hoje nem uma palavra.

Eu acuso os conselhos de administração do CHMT, os sucessivos governos PS/PS/CDS por terem imposto e manterem a urgência médico – cirúrgica em Abrantes e com as urgências de Torres Novas e Tomar subaproveitas atribuindo-lhe a urgência básica violando assim os direitos dos doentes e familiares e de lhes causarem um sofrimento desumano.

Os autarcas do Médio Tejo que subscreveram e apoiaram esta classificação das urgências que não souberam ouvir as vozes dos que avisaram para esta situação e foram muitas, devem sentir-se corresponsáveis morais pelo caos nas urgências e pela situação dramática que ali se vive.

 

 

Torres Novas

11.12.2017

Ramiro Silva

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