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A Mulher ideal

A imagem tradicional da Imaculada Conceição pode chocar a sensibilidade de algumas pessoas: Nossa Senhora ou, outras vezes o Menino Jesus que leva ao colo, esmaga a cabeça da serpente ou do dragão, símbolo do mal. Esta representação, inspirada pela narrativa do livro do Génesis sobre o pecado original, realça a oposição e o conflito entre a força do mal e o desígnio de Deus. Refere-nos, de facto, como o engano e o desentendimento penetram na humanidade desde as origens, provocados pelo orgulho e pela ambição dos humanos de quererem ser como deuses. O desígnio de Deus era um mundo e uma humanidade em harmonia, bondade e liberdade. Porém, por desobediência de Eva e de Adão, o plano de Deus parece fracassar e a força do mal, através da suspeita, da acusação mútua e do conflito, vem gerar mal-estar e divisão. Notamos estes sinais de corrupção na narrativa do Génesis do diálogo entre Deus e os primeiros pais, após a queda original. A humanidade e o universo parecem feridos e divididos.

Neste contexto, entendemos a promessa de Deus de esmagar a cabeça do mal através da descendência da mulher. Assim se restaurará a humanidade pecadora e se recuperará a beleza e a bondade da criação. A tradição cristã entendeu este anúncio da vitória da descendência da mulher sobre o pecado como uma referência a Nossa Senhora, a nova Eva, a “cheia de graça” que vem manifestar a força redentora da graça de Jesus Cristo. Onde abundou o pecado superabundou a graça, afirma São Paulo. Entendemos assim a admiração e a veneração dos cristãos pela mulher Imaculada, a cheia de graça, entregue ao serviço de Deus e dos outros. O diálogo do Anjo da Anunciação com Maria de Nazaré é o contraste do diálogo após a queda original. Para nós crentes é o fundamento da esperança de que é possível a santidade e a beleza.

São-nos assim apresentadas duas imagens de mulheres e de ser humano. A de Eva que se orienta pela carne, pelas suas inclinações naturais e se deixa tentar pela autossuficiência; e Maria Imaculada, a mulher humilde, transparente, disponível para servir. A Imaculada Conceição concretiza o sonho da beleza e da harmonia, do silêncio e da escuta, da vida interior e da confiança em Deus. De Eva herdamos a natureza ferida. De Maria a promessa de libertação e purificação. Duas formas de realizar o ideal da perfeição. Qual a mulher bela e ideal? A que se preocu- pa sobretudo com o arranjo exterior, com o encanto e atração física? Ou a que cuida atentamente da beleza espiritual, da escuta de Deus e dos outros, da relação de respeito e harmonia com Deus, com os outros e todas as criaturas?
A beleza física é efémera e corre o risco de fechar as pessoas na vaidade e autossuficiência. A espiritual permanece e irradia com um perfume à sua volta. A Imaculada Conceição é para todos nós uma bênção que nos manifesta a força da graça e o apelo à santidade na caridade.
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