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Cruzada das Mulheres Portuguesas de Torres Novas

A 20/3/1916, por iniciativa da mulher do presidente da república Bernardino Machado, D. Elzira Dantas Machado, tomou forma a Cruzada das Mulheres Portuguesas, com figuras da família de ministros e deputados. O seu objectivo essencial assentava na assistência material e moral a pessoas e entidades que sofriam as consequências da guerra com a Alemanha, quer em Angola, Moçambique, quer nos terrenos europeus da Flandres. Em Torres Novas, a Câmara Municipal na sua sessão extraordinária de 2/6/1916, analisa uma circular da Comissão de Propaganda da Cruzada das Mulheres Portuguesas que chegara à comissão administrativa na sessão de 18 de Maio, pedindo o auxílio para a constituição duma Subcomissão local, com o fim de prestar socorros às famílias dos mobilizados pobres deste concelho. Propôs-se e foi deliberado, por meio de circulares, editais, anúncios no semanário O Torrejano, que se convidasse pessoalmente as senhoras do concelho para uma reunião, no dia 18, pelas 14 horas, nos Paços do Concelho. O Torrejano nº25, desse mesmo dia, noticia a reunião, com a presença de mais de 40 senhoras da média e alta burguesia civil e militar torrejanas, manifestando a adesão por escrita mais duma dezena que, por impossibilidade, não compareceram. Dela saiu uma comissão instaladora e uma nova data de reunião, a 22, pela mesma hora, na sala das sessões. Reunidas, após a eleição da mesa directora dos trabalhos, foi eleita a direcção da Comissão local, constituída pelas seguintes senhoras: Presidente, D. Bernardina de Faria Pereira de Azevedo Velês; secretária, D. Luísa de Bettencourt Ataíde; tesoureira, D. Miquelina de Faria Rodrigues; Vogais, D. Cândida de Azevedo Mendes Dinis da Fonseca e D. Carolina José Amado da Cunha e Vasconcelos. Seguiu-se a aprovação dum programa em seis pontos: criação de subcomissões por todas as freguesias; cada senhora arranjasse 10 sócios que paguem uma quota; da empresa Nunes e Rodrigues a cedência do Teatro Virgínia para sessões de cinema com fins de angariação de fundos; um festival num recinto fechado, com entradas pagas, com quermesse, música, venda de prendas, etc; uma exposição de rendas e lavores das senhoras torrejanas, que pelo seu êxito local, na presença do inspector das escolas técnicas António Arroio, foi repetida com grande êxito na sede em Lisboa, e levou mesmo à ideia da criação duma escola industrial de lavores na vila; todas as senhoras fazerem parte das subcomissões; dar conhecimento à Comissão nacional da composição da Comissão local e do registo das adesões (O Torrejano citado traz a maioria das adesões). Um ano depois, o Torrejano nº 71, de 17/6/1917, noticia a reunião de apresentação de contas apresentada pela presidente da comissão local, D. Bernardina Velês, com a publicação do respectivo relatório. Pelas páginas do jornal podemos seguir as contas das respectivas subcomissões, bem como os contribuintes e quantias oferecidas, o que permite um estudo interessante sobre a acção das esposas das personalidades mais influentes da economia, política, sociedade civil e militar locais, a favor das famílias mais carenciadas dos soldados torrejanos mobilizados para os três campos de batalha. Com o Sidonismo perde-se a informação sobre a Cruzada, já que no ano de 1918, a maior parte do tempo decorre sem imprensa local, devido à Censura, que leva ao encerramento em Março de O Torrejano e não se conhecem arquivos deixados localmente pela Comissão. As fontes principais, além das actas camarárias, são o dirigido por Artur Gonçalves, cuja consulta é possível no Arquivo Municipal.
antoniomario45@gmail.com

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