Home > Saúde > De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Assinala-se, no dia 1 de dezembro, o Dia Mundial de Luta contra a Sida. Sabia que esta síndrome não afeta apenas os humanos? Os primeiros casos em pessoas surgiram na atual República Democrática do Congo, em caçadores que caçavam e comiam chimpanzés infetados pelo vírus da imunodeficiência símia, muito semelhante à variante humana. Todavia, não é destas espécies que hoje vos falo: hoje trago-vos a sida felina. Como assim? Os gatos podem “apanhar” sida? Vamos por partes: à semelhança do que acontece com os humanos, a sida corresponde à síndrome de imunodeficiência adquirida através da infeção, neste caso, pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV), que ataca as células de defesa do organismo. Nos gatos, transmite-se sobretudo através de mordeduras, com partilha de sangue e saliva. As vias sexual e de mãe para filho são mais raras. Então, e se na mesma casa conviverem gatos seropositivos e gatos saudáveis? Estudos indicam que a infeção entre gatos conhecidos, que convivam diretamente, com uma hierarquia estabelecida e castrados, é menos frequente: por um lado, trata-se de um vírus que resiste por pouco tempo no ambiente, fora do seu hospedeiro, o que torna
pouco provável contrair-se a infeção pela partilha de uma cama, por exemplo. Por outro lado, gatos de uma mesma casa, embora possam brincar e lamber-se, tendem a não lutar de forma agressiva, com ocorrência de feridas abertas. Uma vez infetado, o gato pode permanecer assintomático durante períodos variáveis de tempo. Iniciados os sintomas, está instalada a sida: conjunto de “doenças” que podem surgir associadas a uma mesma causa, a imunodeficiência, que se traduz na quebra das defesas do organismo. Trata-se de uma doença crónica, sem tratamento. Têm sido testadas vacinas, até pelo interesse particular no estudo da variante humana do vírus, mas, até ao momento, não se encontram disponí
veis. Por isso, a prevenção é o melhor método: castração/ /esterilização, manter os animais infetados no interior de casa, sem acesso ao exterior, para prevenir novos contágios e para os proteger de outras infeções. Também a nutrição tem aqui um papel importante: deve ser equilibrada, evitando os alimentos crus. E, como sempre, a desparasitação interna e externa e a higiene na linha da frente da prevenção. Por fim, a pergunta final: a sida dos gatos transmite-se às pessoas? E a das pessoas aos gatos? Não, embora sejam vírus da mesma família. Já sabe, fale com o seu veterinário: poderá testar o seu gato a esta doença e dar-lhe os melhores conselhos.
* Médica veterinária telmaveterinaria@gmail.com

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *