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Coisas e Cenas & Cenas e Coisas

Brinquedos… Brinquedos… Brinquedos e mais livrinhos de publicidade cheios de brinquedos. E quando falo em brinquedos, não vos falo só em brinquedos para crianças … Credo. Todos nós hoje em dia, miúdos e graúdos, temos a necessidade da procura constante das novidades e da tecnologia de ponta como que uma obsessão, obsessão de que só tendo tudo isso e quem sabe, mais um par de botas é que somos efetivamente felizes. E depois passamos os dias a correr de forma desenfreada e andamos todos num stress doido, que nos tira anos de vida e nos gasta a saúde física e mental para arranjar dinheiro para tudo isso. Ufa… que canseira. Por vezes sinto-me um bocadinho deslocada no tempo. Óbvio, que me agrada e muito a ideia de conseguir ter um bom telemóvel, um bom computador, um bom carro e uma boa casa e graças a Deus tenho muitas das coisas que acabei de enumerar, mas… apetece-me utilizar a expressão – “ eu ainda sou do tempo…” Sim, eu ainda sou do tempo em que tínhamos tempo, e a novidade/tecnologia de ponta que mais queríamos era uma bicicleta… como que para ganharmos asas e voarmos! Não, nada de MARY POPPINS, uma bicicleta daquelas de verdade com duas rodas, um guiador, travões (um da roda da frente e outro da roda de trás) um selim, um dínamo ( para quando por descuido o regresso a casa já era feito no lusco-fusco) e uma corrente, ai… corrente essa que de quando em vez nos dava conta da cabeça, porque saía e teimava em não querer fi car no sítio. E, olhem que todos a sabíamos “pôr”. Sim, porque ser desenrascado nunca fez mal a ninguém, bem pelo contrário. Bom… Tempo para brincar, tínhamos. Amigos felizmente também tínhamos e também eles tinham tempo para brincar. Tempo, vontade e autorização dos pais. Porque também naquela altura havia horários a cumprir e satisfações a dar para além de que, não se saía de casa sem fazer a cama, ajudar a pôr a mesa fazia parte do dia a dia e os tpc’s eram sagrados. E por esta altura do ano, já andávamos todos em modo de contagem decrescente para o Natal. E o assunto de quase todas as conversas terminam quase sempre com, o que será que o Menino Jesus me vai pôr no sapatinho este ano?! Pois é… deste Menino já muito pouco ouvimos falar por altura do Natal e os outros meninos que tal como eu andavam de bicicleta são hoje os pais e as mães de outros meninos e meninas e tudo isto tão somente porque TUDO ISTO EXISTE, TUDO ISTO É TRISTE (certamente que é só distração), TUDO ISTO são COISAS e CENAS & CENAS e COISAS.

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