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De vez em quando – 3 O borrachinho lilás

Hoje venho escrever sobre o desporto do pombo correio, uma paixão a que alguns chamam “doença”, que “apanhei” tinha eu apenas onze anos. Este desporto teve em Torres Novas de há muitos anos a esta parte, um grande número de columbófilos, devendo eu destacar os nomes do Pintassilgo, Piranga, Vences, Angélico, Fragoso, depois já de outra geração João Lúcio Cordeiro, Orlando Minhalma, Delfim Martins, Augusto Nabiça, João Luis Carreira, Sousa, Plexa e José Torres, Barquinha, Carlos Domingos, Matos Silva, David Ribeiro e Acácio Simões e muitos outros, de várias profissões e credos, mais ricos ou menos ricos, tinham essa “doença” em comum, a paixão pelos pombos correios. E tantas e tantas histórias se contaram e ainda contam, tantas peripécias se viveram, que hoje aqui vos trago uma, por mim vivida e que jamais posso esquecer. Tinha eu os meus doze anitos, ainda com poucos pombos, no tempo em que os pombos comiam fava ratinha, ervilhaca, trigo e milho e já era uma ração de luxo, houve um concurso com largada em La Coruña, com uma quilometragem de cerca de 550 Kms em que eu só enviei um pombo, um borracho que me tinha sido dado pelo meu vizinho Orlando Minhalma, campeão nessa altura. O pombo era lilás e na sede, quando o fui encestar, foi logo batizado como o “Olho de Galinha” pelo amigo Armando Ramos de Deus pelo seu aspeto um pouco mariola. Enfim, a solta concretizou-se, o vento estava a favor e por volta das 14 horas eu oiço o Orlando a gritar no seu pombal: “Baixem-se, caluda, que vem aí o meu Lilás”, ele que tinha encestado 16 pombos. Eu atento a olhar para o pombal do vizinho para ver o seu pombo aterrar, quando de repente me cai o meu lilazito na prancha de entrada. Contente e incrédulo lá lhe tirei a anilha de borracha e lá fui para o registar no constatador do vizinho, subindo a escada do Orlando, tocando à campainha insistentemente e ninguém me abria a porta. Apurei mais o ouvido e ouvia-o a bradar: “Gaita, só fazem figura com aquilo que lhes dou, não o deixem entrar! “ Lá me abriram a porta e lá constatei o pombo, que tirou o 6º lugar na geral na prova, lugar que para mim foi tão bom como o primeiro. Saudoso “Olho de Galinha” que tão feliz me fizeste!

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