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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Ainda na sequência do consumismo natalício de que falámos na semana passada, hoje falo na venda de animais de companhia. Quem pensa adquirir um cão ou um gato, deve fazê-lo de forma informada. Deve, por exemplo, ter conhecimento das particularidades da raça que está a adquirir, do seu comportamento padrão e do tipo de doenças mais frequentes. Bem sei que isto parece cliché, mas não imagina a quantidade de vezes que donos de animais se queixam de ter pago largas centenas de euros pelo seu animal de “raça pura” e depois não querem suportar as despesas inerentes à manutenção da sua saúde. Deve saber ainda que a criação de animais para venda é um negócio lucrativo, tanto mais quanto menores a atenção e cuidados. Hoje em dia, assiste-se à criação desmesurada de raças de cães, feitas porque alguém tem um animal de raça e se lembra de fazer criação com ele. Na maior parte destas vezes, não são considerados os antecedentes familiares, nem a história de doenças hereditárias. Assim, se perpetuam doenças e defeitos genéticos, assim se perde a identidade das raças, assim se favorece a criação de animais em meios duvidosos e precários. Em agosto deste ano, foi aprovado um decreto-lei que regula a compra e venda de animais de companhia em estabelecimentos comerciais e através da Internet, definindo novas regras para este comércio. Num resumo muito curtinho, expressa, por exemplo, que um animal só pode ser considerado de “raça pura” se possuir identificação e registo no livro de origens português. Esta é uma forma de terminar com as criações caseiras e de tentar garantir a seriedade de todo o processo. Passou, também, a ser obrigatório um atestado médico-veterinário que declare que o animal se encontra apto a ser vendido. Embora estas leis pareçam uma complicação, o facto irrefutável é que, cada vez mais, temos mais
animais abandonados, de raça entre eles! É urgente criar medidas que condicionem a aquisição de animais, que nos obriguem a parar para pensar antes de nos envolvermos neste negócio. Seja como for, eu nem concordo com a compra de animais… Há tantos bonitos, meigos e doces, sedentos de mimo, à espera de uma família no canil! Desde quando o amor se compra?

Telma Gomes

* Médica veterinária telmaveterinaria@gmail.com

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