Home > Colaboradores > Madalena Monge > O fado dos guerreiros

O fado dos guerreiros

Caímos do último andar da velha casa da nossa infância para o fundo do mar. Aquele mar transformado em rio de água moribunda onde os peixes flutuam com as guelras ensanguentadas. Deambulámos nas águas gélidas dum inverno ameno. Engasgámo-nos na saliva que nos foi sugada num ápice. Chorámos enraivecidos pela sina que nos calhou. Assistimos ao desmembrar dos nossos corpos magros e obesos de falta de alimento e amor. Sofremos na escuridão das noites claras em que nas ruas o mundo girava a toda a velocidade. Depositámos pedaços de terra nos caixões que partiram. Respeitámos. Murmurámos as nossas preces em sincronia desesperada. Deitados nos colchões cinzentos escutávamos o fado vadio enquanto os líquidos pingavam para dentro de nós. Ninguém queria viajar na última carruagem. E mesmo alguns que arriscavam entrar nessa aventura dissimulada havia sempre uma mão amiga, um puxão, uma união, uma palavra, um abraço. Passado uns anos continuamos a marcar presença na vida que nos foi salva. Somos guerreiros de luz. Erguemo-nos das trevas. Acordamos e adoramos viver por cá. O nosso fado não é cantado, mas sim sentido. Nós não somos guerreiros de cara bonita, não andamos na moda. A aparência é o que menos nos incomoda. Somos humanos que vencemos várias batalhas de perda, doença e conquista. E atualmente corremos como loucos na linha da vida. O stress lava-se com uma esfregadela, um sorriso e um beijo. Acreditem no que vos escrevo pois é a verdade. Nunca desistam dos vossos sonhos e principalmente de gostarem de vós mesmo. Não se importem com o que a sociedade comenta. Importem-se é com a vossa saúde e o vosso bem-estar. E se sentirem a fragilizar não tenham vergonha de pedir ajuda. Apesar de vivermos muitas vidas, só nascemos uma vez. Um abraço de coragem e conforto para quem anda à deriva.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *