As minorias

Ao longo das civilizações estas foram progredindo, modificando o seu modo de viver, alterando os seus valores, umas vezes para melhor, outras para pior. Se excetuarmos as guerras e os grandes cataclismos, todos os progressos ou regressos e as grandes transformações foram obra de minorias. Muitas vezes perseguidos, muitas vezes desobedecendo a leis estabelecidas, sempre ou quase sempre conseguiram vencer, tornando-se, por sua vez, de perseguidos em perseguidores, de excluídos em admirados. Temos um exemplo bem significativo no estabelecimento do Cristianismo no Império Romano. Começou por ser uma minoria perseguida e acabou por tornar-se a ideologia dominante, a religião do Império. Ela trouxe novos valores, novas crenças, aproveitando muitas ideias do Império. Mas bem depressa passaram a perseguidores porque, infelizmente, o poder apoderou-se dessa nova ideologia para unificar o Império. Foi bom, foi mau? A História julgará, como está a julgar porque entretanto se formaram outras minorias. Todas as minorias procuram conquistar a Humanidade, no bom ou no mau sentido. No nosso mundo moderno tão dividido por crenças e ideologias, os homens têm muita dificuldade em lidar com estas divisões. O facto de vivermos democraticamente, ensina-nos a aceitar as diferenças mas sempre sujeitos não às minorias mas às maiorias. O nosso viver democrático nem sempre se encaixa em vivências diferentes das nossas. Há ideologias que nunca admitirão esta nossa democracia. Por exemplo as três religiões do livro e o comunismo muito dificilmente aceitarão os princípios democráticos tais quais os vivemos na nossa sociedade. Aquele que interpreta bem uma ideologia minoritária tende a chefiar um grupo, mais ou menos aguerrido que procura sobrepor-se ao “status quo”, desejando obter uma maioria. E é nesta roda de maiorias e minorias que gira o nosso mundo moderno. Existem também duas forças nas civilizações que se opõem: as forças centrífugas e as forças centrípetas. Uma afasta-se do centro (as minorias) e outras são atraídas pelo centro (as maiorias). Como lidar com todas estas contradições? Quer queiramos quer não, todas as civilizações estão sujeitas a estas forças. Por enquanto temos a democracia que funciona com as maiorias mas não nos livramos de as minorias irem minando para se tronarem maiorias. Normalmente as minorias para vencerem lançam mão de todos os meios mesmo que sejam imorais ou ilegais para as maiorias. Quem não se revoltou, se num café ou num supermercado, um pai ou uma mãe castiga um filho porque se está a comportar mal? “Coitadinha da criança, ainda é tão pequenina! Pais insensíveis! Isto mesmo se os pais têm razão porque a maioria é contra. A justiça, a igualdade, o dever estão longe, muitas vezes das maiorias. Daí os conflitos entre quem manda (as maiorias) e quem tem de obedecer (as minorias). Ainda por cima as minorias valem-se da cobardia e do medo das chamadas (maiorias silenciosas).

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