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A Escola de Equitação na 1ª Grande Guerra

A partir de 1917 começam as tropas portuguesas a seguir para a linha da frente aliada, em França. A Escola de Equitação, sedia- da em Torres Novas, segue na primeira expedição. O Torrejano (nº58,4/3/1917) noticia: «na passada quinta-feira(1/3), pelas 23 e meia horas, partiu desta vila para Lisboa uma força de cavalaria da escola de equitação, sob o comando do tenente Afonso Botelho, a fim de se incorporar no corpo expedicionário português, prestes a partir para França. A notícia só se tornou pública cerca das 22 horas, o que não obstou que no Centro democrático 5 de Outubro se reunisse grande número de sócios que dali se dirigiram em frente do quartel onde fizeram uma entusiasta manifestação
do seu patriotismo no exército português, o qual recobrou de veemência quando rompeu a marcha do esquadrão. Juntando-se muito povo, organizou-se um cortejo com archotes até à saída da vila». Mas a grande intervenção da Escola de Equitação, com a sua partida para Lisboa a fim de embarcar rumo a França, dá-se no mês de Junho, como se lê no
n.º 74, de 8 de Julho, do citado periódico. Sob o título A caminho de França, Artur Gonçalves noticia a partida da Escola, comandada pelo tenente-coronel Eduardo Augusto Lopes Valadas. realizada no dia 29 de Junho, a fim de seguir para França como Depósito de Remonta do Corpo Expedicionário Portu
guês (CEP). Transcreve o convite do Presidente da Câmara, Dr. Pedro Gorjão Maia Salazar, à população convidando os habitantes de Torres Novas para comparecerem no Rocio do Carmo, às 4 horas da madrugada, para acompanhar a despedida das tropas aí aquarteladas. E descreve, de forma patriótica, essa partida: «O vasto campo fronteiro ao quartel achava-se cheio de povo e junto da entrada da parada achavam-se as autoridades locais e indivíduos da maior representação social». «Eram 4 horas quando a Escola na força aproximada de 400 homens se pôs em marcha a caminho da estação do Entroncamento, onde foi tomar o comboio especial que a Lisboa os conduzia.» E mais diante: «À passagem da escola rompeu a banda Operária da Fábrica com o hino nacional, no meio das mais vibrantes viva ao exército, à escola, à República, à Pátria, etc., seguindo uma marcha aux flambeaux pelas ruas da vila, que se achavam apinhadas, como as janelas do
percurso. Até o Entroncamento seguiram inúmeros trens além de muita gente a pé, acompanhando os militares,» que de novo se manifestaram ruidosamente à partida do comboio. Esta força, segundo nos descreve Artur Gonçalves no Mosaico Torrejano, páginas 164, embarcou para França, a 2 de Julho, no transporte inglês Bellérophon, mas por suspeita da ameaça de submarinos alemães prontos a afundar o navio, foi suspensa a viagem, que se executou apenas a 12. Pouco se conta no respectivo periódico da acção no teatro de guerra desta força. A censura não permitia qualquer notícia sobre os acontecimentos militares, para impedir a espionagem alemã de a eles ter acesso. O que dela ainda transcreveu foi no nº88, de 4 de Outubro, em que descreve um Concurso Hípico com a presença dos ofi- ciais da Escola de Equitação, com oficiais ingleses e belgas, em que, na participação de 43
cavalos, 13 nacionais, com boas provas e vitórias, montados pelos oficiais da Escola tenente Prostes da Fonseca, capitão Júlio de Oliveira, tenente Armando de Mesquita, capitão Figueiredo, alferes Jorge Pedreira, tenente Rui de Meneses, alferes Fernão de Abreu, tenente Moura Borges. Nomes que nos já eram conhecidos, pelas actas do Clube Torrejano. Na vila fica um pequeno grupo de oficiais, comandados, até ao Sidonismo, pelo capitão Artur Hintze Ribeiro Nunes, que é exonerado, pelas suas ideias democráticas, a 29 de dezembro e substituído, segundo o periódico, a 13 de janeiro, pelo então tenente-coronel Óscar Carmona. A escola de Equitação só regressa a Torres Novas, depois do fim da guerra, a 4 de Junho de 1919.
antoniomario45@gmail.com

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