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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

E eis que num abrir e fechar de olhos, os espaços comerciais “encheram-se” de Natal. Honestamente, nem me apercebi da passagem do tempo. Aliás, ainda agora me pergunto se é assim todos os anos ou se o frenesim comercial desta época começou ainda mais cedo. É altura de pensar em presentes, uma forma material de demonstrar o carinho que temos por alguém de que gostamos. À parte da questão pertinente do materialismo associado a épocas festivas e à demonstração de afeto – hoje falo do “tipo de materialismo”: a oferta de animais de estimação como prenda. Pais oferecem finalmente aos seus filhos a “prenda” que vinham a pedir há tanto tempo. Namorados oferecem um cachorrinho amoroso e irresistível aos seus pares. Numa cesta bonita, envolvido com um lacinho, o presente perfeito, qual filme natalício de Domingo à tarde. Entretanto, o cachorro tem um “pequeno” descuido na sala, e chora durante toda a noite. O gato transformou a lindíssima árvore de Natal num cenário de destruição, juntamente com os cortinados e a estatueta da mesa de centro. O canário não deixa ninguém dormir e a água da tartaruga cheira mal. As crianças brincam com os seus novos amigos, mas também se aborrecem. E a ideia de ter de ir passear o cão na rua nos dias de inverno, com tanta chuva e frio e vento… Não quero aqui destruir ideias felizes, nem conjeturas risonhas. Muitos são os estudos que demonstram
como o contacto com animais de estimação é benéfico para o desenvolvimento das crianças (e dos adultos): melhora a capacidade de interação com o outro, aumenta o sentido de responsabilidade e melhora também a capacidade de conhecimento próprio, na medida em que se permite sentir algo por outro ser vivo, senciente, dotado de emoções, que corresponde aos estímulos, aos afetos. E é exatamente por isso que ter um animal é uma responsabilidade, não é um direito. É a responsabilidade própria de o tratar, de o estimar, todos os dias da sua vida (10-20 anos), ponderando todos os custos associados (quer monetários, quer pessoais). É a responsabilidade de não adquirir de forma impulsiva, é a responsabilidade de não abandonar nas férias. Não apenas em épocas festivas, mas sempre, lembremo-nos: ter um animal é uma responsabilidade pessoal, e só depois de tomada essa consciência é que se pode tornar num direito. * Médica veterinária telmaveterinaria@gmail.com

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