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Coisas e cenas & cenas e coisas

Bom dia. Acordo e apetece-me dizer com um sorriso no rosto – BOM DIA . Porém, na torre da igreja da minha aldeia grande, como gosto de lhe chamar, o sino diz-me que alguém partiu. Aqui me confesso, que fico sempre inquieta quando oiço tal anúncio. Bem sei que é o ciclo natural da vida – nascemos, vivemos e morremos mas, tenho 40 anos e se for a contar bem pelos dedos (é feio mas às vezes, dá um jeitão), já me despedi de uma boa mão-cheia de amigos e sublinho AMIGOS, pois não me refiro a conhecidos ou colegas ou vizinhos ou familiares. Uma? qual quê! Esse número deve ter sido nos últimos dois ou três anos. Quero eu dizer duas, bem calhando já quase completas. Céus. Enquanto escrevo, percebo que estou a ficar com frio nos ombros. Pois… Estou ainda “enfiada” na cama, mas sentada e como tal, o meu “butôr”. Nova vontade de sorrir e vou buscá-lo. Oh, cheira um bocadinho a estar guardado no armário – coisas de casas antigas mas que bom! O meu “butôr” é o meu cobertor de quando era bebé. Um cobertor retangular de caminha de bebé ou de alcofa, como se usava na altura, cor de rosa e debruado com uma fita de seda também ela cor de rosa. Gosto tanto do meu “butôr”. E também gosto tanto da Feira de São Martinho/Feira Nacional do Cavalo e a deste ano já passou. Assim como já passou o Dia de Todos os Santos (há quem diga por aí que é o Dia Mundial do homem…), bem como o Dia de Finados e caminhamos agora a passos largos para o Natal. Mas com este calor… parece que não bate a bota com a perdigota. Verão sim mas o de São Martinho. E noto agora que volto a falar do São Martinho, que este ano não vi à venda na feira, as tabletes de chocolate que o meu querido pai nos comprava sempre e que a minha irmã passava a vida a dizer em tom de reclamação que sabiam a sabão… Lembram-se de quais eram? As de chocolate de leite tinham uma vaquinha na capa e a embalagem era amarela, se tivessem amendoins a embalagem era azul e tinha os ditos amendoins como imagem e… acho que havia outras cores de embalagem mas agora já não tenho bem a certeza. Quando o meu pai chegava a casa com a bela da tablete era uma alegria. Uma coisa tão simples e que me deixa tantas saudades ao ponto de me fazer rolar uma lágrima pelo rosto. Pequenos nadas que são tudo. E tão-somente porque tudo isto existe, tudo isto é triste (e com muitas saudades), tudo isto são COISAS e CENAS & CENAS e COISAS.

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