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O grito da nossa irmã Terra

A terra é nossa irmã, uma irmã bela e grande, criada por Deus para nela habitarmos, que nos acolhe e cria ambiente para vivermos com gosto e qualidade. Mas, em vez de receber proteção e cuidado da nossa parte, frequentemente é maltratada e ferida. Por isso, ergue um clamor doloroso pelo mal que lhe causamos. Pelos incêndios que tanta destruição causam, pelo lixo que nela lançamos, pela degradação e exploração que lhe fazemos. Ouçamos o clamor da irmã terra que chega aos ouvidos de muita gente de boa vontade, de inúmeros cientistas, filósofos e muitas organizações que lutam pela defesa do meio ambiente. Nós cristãos, que louvamos a Deus pela bondade e beleza da criação, não
podemos ficar surdos a este grito. Ouçamo-lo com atenção e solidariedade e procuremos amplificá-lo e difundi-lo para acabarmos com o uso irresponsável e pelo abuso dos seus recursos. O atual Papa, ao adotar o nome de Francisco, realça o exemplo de São Francisco de Assis “como exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral (…). Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres (…). Neste santo se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior”. (LS 10) Sobre o cuidado pela criação publicou o Papa Francisco a Encíclica “Laudato Si’” (LS, Louvado se
jas) em que concretiza a preocupação de proteger a terra como nossa “casa comum”. Como São Francisco de Assis, devemos proclamar a nossa gratidão pela beleza da criação que Deus fez para nós e viver a responsabilidade de a defender e promover. Assim poderemos, dizer como o santo de Assis, irmão universal de todo o ser criado: “Louvado seja meu Senhor pela nossa irmã a Mãe terra que nos sustenta e governa e produz varados frutos com flores coloridas e verduras” (LS1) Precisamos de madurecer uma “cidadania ecológica” que se traduza em pequenas ações diárias, tais como evitar o uso de plástico, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo, cozinhar ape
nas o que razoavelmente consumimos, proteger todos os seres vivos, plantar árvores, apagar as luzes desnecessárias… (cf LS 211). Mas, a longo prazo, precisamos de uma conversão mais ampla e profunda. De facto, na base da crise ecológica, há uma crise ética e espiritual, uma cultura dominante marcada pelo paradigma tecnológico e pelo consumismo. Converter-se à cultura ecológica é passar da relação de posse e domínio da natureza à relação de cuidado e proteção; da cultura do descarte e do desperdício, à cultura do cuidado e do encontro. É olhar o mundo e cada pessoa como uma imagem de Deus com respeito, admiração e responsabilidade. Assim progredimos na fraternidade universal.
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