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Homenagem do Povo Açoriano a Humberto Delgado

Num dos pontos mais altos da Serra de Santiago, na Praia da Vitória, há um miradouro a que foi atribuído o nome de Humberto Delgado. O caso não despertaria a nossa curiosidade se o topónimo, outorgado ao local, acontecesse no período pós-25 de Abril de 1974. A partir desta data, o nome do torrejano ilustre, seria inscrito nas ruas e avenidas, da maior parte das localidades portuguesas. O enigma que se coloca é de sabermos o porquê do invulgar preito a um então jovem major aviador. Num país adverso a enaltecer, ainda em vida, os seus verdadeiros filhos ilustres. A nossa aturada pesquisa revelar-nos-ia a chave para a reso
Homenagem do Povo Açoriano a Humberto Delgado lução do problema: a pretérita homenagem do povo açoriano teve como objectivo perpetuar, na memória dos vindouros, o papel decisivo de Humberto Delgado na História da Base das Lajes e da Pátria, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). No seu livro de memórias o ilustre general torrejano dá-nos conta de alguns pormenores acerca do seu valioso contribu- to para o feliz desenlace da ce- dência aos Aliados das bases no arquipélago dos Açores (DELGADO, Humberto, “The Memoirs of General Delgado”, Cassel-London, 1964, págs. 62-67). Segundo o torrejano ilustre, o processo não foi nada fácil. Em vários momentos das negociações colocou a sua carreira militar e a vida em risco. Só a abnegada coragem e perseverança de Humberto Delgado de- terminaram o êxito da missão. Dívida que os Aliados não esqueceriam: no final da guerra, o governo inglês atribuiu-lhe a comenda da Ordem do Império Britânico. Segundo o torrejano ilustre, esta foi uma das suas mais valiosas condecorações. (DELGADO, Humberto; op. cit., pág. 66). Fiel aos valores da liberdade e democracia, Humberto Delgado predispôs-se com enorme satisfação a ajudar os Aliados contra o poderio bélico nazi. (DELGADO, Humberto; op. cit., pág. 66). Os seus relatórios – os “Delgado’s Blue Report” – possibilitaram às chefias da Royal Air Force o conhecimento detalhado da geografia e condições climatéricas açorianas. Factores estratégicos de grande importância militar, que contribuíram para a vitória da aviação Aliada sobre as forças alemãs. No processo que envolveu a cedência das bases, Humberto Delgado teve que remover al- gumas barreiras internas, pró-nazis, que colocaram em perigo a aliança Anglo-lusa. O sucesso da sua missão permitiria, igualmente, dar mais um passo no fortalecimento dos velhos la- ços que uniam as duas Nações. O Boletim de Informações da Embaixada Britânica, datado de 16/10/1943, é bastante elucidativo sobre a coragem e leal- dade do povo português (encarnado na figura insigne de Humberto Delgado) que, num momento de extrema violência e horror, optou por estar ao lado do povo irmão. Também a Câmara Municipal da Vila da Praia da Vitória não esqueceria o heróico gesto pro- tagonizado pelo torrejano ilustre. A 28 de Fevereiro de 1944, na sessão camarária, foi aprovado, por unanimidade, a perpetuação do seu nome ao miradouro local. Acontecimento que mereceu a atenção nas páginas da revista “Defesa Nacional”, através da divulgação do discurso proferido pelo presidente da edilidade. Foram estas as suas honrosas palavras: “Cumprindo um alto e nobre de- ver de gratidão, a Câmara Municipal da Praia-da-Vitória reúne-se hoje, extraordinariamente, com o fim expresso de manifestar a um Português, já ilustre por muitos títulos, e lídimo representante do nosso exército, a sua admiração perdurável. Ao Major Aviador – Humberto Delgado – ficou devendo a Ilha da Terceira a realização, neste concelho, de uma obra que atestará aos vindouros o ingente esforço da Grei para valorizar e levar mais alto o nome eterno de Portugal. Pela clareza da sua visão e pela amplitude dos seus conceitos, foi o Major Humberto Delgado quem, desde a primeira hora reconheceu a alta função nacional que o Aeródromo das Lajes representaria na missão
civilizadora e universalista da Nação Portuguesa. E a hora actual, cheia de inquietações, mas também plena de fé e esperança, vem iniludivelmente confirmar a grandeza do plano concebido. Assim, cumpre-nos, de algum modo, com modéstia, mas profunda sinceridade, afirmar que não nos esquecemos, nem o futuro esquecerá, o nome do Homem Forte que fica ligado a esta Terra por uma obra que enobrece o nome Português. Para isso, esta Câmara Municipal, resolve que ao Miradouro da Serra de São Tiago seja dado o nome de «Miradouro Major Aviador Humberto Delgado»” (“Defesa Nacional”, Ano X, nº 120, Abril, 1944, pág. 660). No período após a candidatura do «general sem medo» às eleições, em 1958, o padrão seria destruído. Sem que isso apagasse da memória dos açorianos o nome de Humberto Delgado. Já no nosso milénio a verdade histórica seria restabelecida, com a reinauguração do “Mira- douro General Humberto Delgado”. Hoje, qualquer veraneante pode constatar a homenagem prestada pelo povo açoriano ao torrejano ilustre. Marca indelével que dignifica a sua enorme coragem e inteligência. Texto escrito com a antiga ortografia.
Nota: No artigo anterior sobre “Falsificações na História do Fute- bol Torrejano”, a época de 1928/29 é citada como sendo aquela em que o Torres Novas
F. C. se sagrou campeão. O que vai ao encontro da indicação presente no site oficial da Associação de Futebol de Santarém e do exemplo que utilizámos do site “Zero Zero.pt”. Ora, nas nossas pesquisas demos conta de algumas discrepâncias entre duas fontes consultadas, em relação aos vencedores do Campeonato Distrital da 1ª Divisão, da Associação de Futebol de Santarém. Foram elas: a página oficial da referida Associação e o quadro de vencedores da prova presentes no livro “Clube Desportivo de Torres Novas – Uma História de 80 anos” de João Carlos Lopes (2005). O citado livro refere 1927/28 como a época em que o Torres Novas F. C. venceu o Campeonato (pág. 112). Coerentemente esta referência deve ser a que está correcta! Mas escapa à nossa compreensão (para referir as mais importantes) as divergências, quanto aos clubes vencedores, detectadas nas duas fontes, nas épocas de 1927/28, 1928/29 e 1929/30. Ainda mais pelo facto da versão oficial em causa ter sido emitida pela Associação na qual os clubes se encontravam integrados e em que foram campeões.

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