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Combater o bom combate

Os primeiros dias de novembro, 1 e 2, levam-nos a recordar os Santos e os Fiéis Defuntos, sobretudo aqueles que faziam parte do nosso convívio e já partiram. Os nossos cristãos vivem intensamente a saudade dos seus Defuntos pois, embora ausentes da nossa presença, eles continuam vivos no nosso coração e na nossa memória,
fazem parte da história da nossa vida. Sofremos com a sua partida e continuamos a sentir o vazio que eles deixaram. Tanto a celebração dos Santos como dos Fiéis Defuntos trazem à nossa consciência uma dimensão essencial da vida humana e que frequentemente esquecemos: somos peregrinos, estamos de passagem.
Esta certeza não nos é muito simpática mas sempre nos deve orientar e não ape- nas nestes primeiros dias de
novembro. Aliás, na tradição cristã, todo o mês de novem- bro é conhecido pelo “Mês dos Santos” ou também pelo “Mês das Almas”. Em toda a vida do cristão, a dimensão da vida eterna deve acompanhar a nossa passagem pelo mundo para alcançarmos a sabedoria do coração.
Nestas duas celebrações, a fé convida-nos a entender o nos- so destino numa perspetiva positiva, de esperança. Aos olhos dos descrentes o destino da vida parece ser a morte em que tudo acaba. “A vida porém não acaba apenas se transfor- ma” (Prefácio dos Defuntos).
Acreditamos verdadeiramente? É o desafio destas comemorações: entender o final da vida à luz da fé.

São Paulo ensina-nos a enfrentar este destino mortal à luz da esperança, sem medo, com coragem. Prestes a terminar a sua passagem, condenado à morte por causa da fé, ele escreve da prisão de Roma ao seu amigo e discípulo Timóteo: “Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel.
A partir de agora, já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Se- nhor, justo juiz, e não somente a mim, mas a todos os que anseiam pela sua vinda” (2 Tm 4, 7-8).
Realmente a vida e a morte são um combate. Todos nós o experimentamos. Desde o nascimento, lutamos continuamente contra muitas dificuldades, obstáculos, provações. Lutamos para crescer e sobreviver, para progredir e ter saúde, para alcançar um lugar ativo e desempenhar digna e responsavelmente a nossa
missão. A vida torna-se um bom combate quando, para ser livres e alcançar a perfeição, lutamos também contra a preguiça, as inclinações egoístas, a indiferença, o comodismo, a mentira, o relevo pessoal, o conflito, os instintos primários da natureza.
Os Santos e os Fiéis Defuntos passaram “pela grande tribu- lação” (Ap 7, 14) e nela se purificaram. Inspirados pela suamemória, façamos também da nossa da vida um bom combate.

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