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Recriminação e louvor

Foi-me feito o desafio de ouvir as críticas, as sugestões dos leitores e eu aqui estou disponível, atento aos dizeres, às murmurações, aos alvitres. Também me incumbem de voejar sobre o conteúdo do jornal e de palavrear sobre a sua forma e o seu conteúdo. E, nesta trincheira de papel, sentinela de palavras, por aqui vou estando. No último deste jornal saltou-me particularmente à vista uma breve nota referente a um mal crónico, e que parece nunca será erradicado, de que padece a nossa terra e tanto sofrimento acarreta. Tanto se tem falado dos cheiretes da Ribeira da Boa Água, da poluição do rio Almonda, dos abusos sobre os caudais do Tejo. Escandalosamente quanto mais se escreve, quanto mais se brada, mais se agrava a degradação ambiental que nada parece travar ou sequer atenuar. O poder dos políticos, a voz da opinião pública, as televisões, os jornais, não conseguem pôr término a esta calamidade. Quem se põe na pele daqueles que dia a dia, hora a hora mais de perto sofrem e suportam o insuportável? Os vindouros, os que estarão aqui amanhã depois de nós, sofrendo os impactos desta falta de respeito para com a natureza e para com as pessoas, hão-de responsabilizar aqueles que podiam fazer e não fizeram, aqueles que passaram de lado, aqueles que ficaram em silêncio. Estes são cúmplices. E em muitas situações não é falta de formação cívica, não são os interesses – é maldade. A Serra tem sido lugar de despejo de toda a imundície, recantos mais recatados acolhem todo o tipo de tralha. A incúria e a indiferença de cada um de nós também são responsáveis por este estado de coisas. Por isso é de louvar que a palavra deste jornal apele, que a sua voz clame, como fez o número anterior, denunciando o atentado ambiental, a conspurcação acontecida ali para os lados da Fonte da Graça, às portas do Paúl do Boquilobo, onde nasce e cresce uma lixeira.

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