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Obrigado a Torres Novas

Há muito que eu devia este gesto de gratidão para com Torres Novas. Só agora, com o novo jornal, me atrevo a dizer um muito obrigado a esta terra que me recebeu tão bem e à qual dediquei uma parte importante da minha vida como professor em todos os estabelecimentos de ensino existentes, na altura, nesta cidade. Por sorte ou por destino comecei a lecionar com 23 anos no Ribatejo. Para mim, beirão dos quatro costados, confesso, quase tudo era desconhecido nesta região tão rica em tradições, mas tão diferente do meu pátrio lar. Vim para Torres Novas no ano da revolução dos cravos. Não foram fáceis estes primeiros anos de tão grandes e proveitosas transformações. Apesar disso e de encontrar uma população que se dividia entre conservadores e revolucionários (no bom sentido) tive uma receção como professor que superou todas as minhas expetativas. O mais extraordinário para mim foi a gentileza das gentes desta terra, a sua amizade quase instantânea, como se eu fosse um natural desta cidade. Nunca senti a menor animosidade por parte das pessoas com quem contatava e eram muitas, dada a minha profissão. Tenho a impressão que passado um mês já toda a gente me conhecia e cumprimentava. Devo dizer, com verdade, que só tive duas ameaças: a primeira duma colega que, pelo telefone, me ameaçou por causa de uma crónica que escrevi no “Almonda”. A segunda por um abaixo-assinado dirigido ao Ministério da Educação por querer ajudar um grupo de alunos do décimo segundo ano. É que sem uma das disciplinas que lecionava eles não poderiam seguir o curso universitário pretendi- do. Até nisso os responsáveis da minha escola (Maria Lamas) foram duma correção total. Estava em causa o brio dum professor e mais que isso, uma pessoa que eles consideravam torrejana. Tudo isto me sensibilizou. A todos eles quero abranger neste muito obrigado pela nobreza e muito longe de qualquer vestígio de xenofobia. Dei a Torres Novas 30 anos do meu trabalho e da minha dedicação. Considero-me um privilegiado pelo apreço em que os torrejanos me tiveram e pelo orgulho que sinto quando muitos dos meus ex-alunos me cumprimentam como se fosse da sua família. De facto eu sempre fiz parte da família torrejana pela boa vontade dos habitantes desta cidade que eu considero a mais bonita do Ribatejo. Passo a maior parte do tempo aqui procurando que a minha reforma ainda sirva esta cidade. Obrigado Torres Novas.

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