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Editorial do novo jornal

Foram os leitores e não nós quem julgaram o nosso jornal de “o velho” e “o novo” Almonda. Mas é preciso atentar para uma coisa: o velho O Almonda chegou onde tinha de chegar e passou o seu tempo. Os jornais são como as pessoas. As pessoas nascem, envelhecem, morrem. Os jornais também. Os jornais inspiram e geram outros jornais, as pessoas também. Mas há quem se julgue acima dessa natureza. Ora, poucas pessoas morrem convencidas de que essa seja sua última hora e não há situação em que a ilusão da esperança nos engane tanto. Assim acontece porque a nossa visão exagerada de nós mesmos provoca uma visão exagerada do mundo e até na hora da morte, inexpugnável e necessária, veem aos ouvidos falsas esperanças. E isso acontece porque nos damos demasiada importância. Nos sentimos acima da universalidade das coisas e consideramos a nossa vida e a nossa morte uma coisa maior que o universo. As escolas nos ensinam a sobreviver. Bom seria se nos ensinassem a viver e a morrer. Quem sabe viver, sabe morrer. Quem ama a vida, sabe vivê-la até ao fim, que vem naturalmente com o tempo. Mas quem não sabe viver instala-se numa velhice que louva o tempo passado e critica o presente, sobrecarregando com a sua própria miséria e tristeza o mundo e o comportamento dos mais jovens. Isso de nada adianta. Não ajuda. Não salva e tem dois nomes: covardia e egoísmo. O dito velho jornal O Almonda sobreviveu por 20 anos sem nenhuma mudança gráfica ou editorial. Estava cansado e cansativo, fadado a repetições e perdia a cada mês leitores e assinaturas. Cometia erros. Sem energia não reagia às exigências das aldeias e da cidade. Mas veio a mudança e este jornal proporcionou-nos um outro novo jornal que já adquiriu fama, beleza e energia. Nasceu o novo e sobrevive forte contra a ousadia das críticas apressadas. Além disso, coubesse a nós representar o jornal O Almonda numa figura magnífica, seria como uma Fénix. Ave símbolo da regeneração. Uma justa imagem para quem faz 100 anos e por tantas vezes soube renascer. Penso que morrer não é o maior dos males. Mas envelhecer é um deles. Há como viver muitos anos sem envelhecer, pois envelhecer significa desatualizar-se. Mas há quem pense evitar a morte combatendo a atualidade, com resmungos e injustiças, preferindo a estagnação: claro sinal de que a morte se avizinha. Uma nota para a nomeação do senhor bispo Dom José Traquina. O “novo Almonda” saúda o novo bispo. Saúda o emérito, não velho, também. Outra nota para o futebol, a derrota do Desportivo Torres Novas. Estive lá. Perderam, mas lutaram até o fim. Emocionante.

Durval Baranowske, diretor

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