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As aldeias históricas da raia

Há muitos anos se ouve dizer que Portugal é o país da Europa com fronteiras definidas mais antigas, no caso com Espanha, único vizinho, sendo que muitos quilómetros são linhas naturais. Mas na Idade Média todos temiam todos, pelo que as fortificações foram um meio para a defesa das populações dispersas e minúsculas, e assim se promover o repovoamento, porque do outro lado os castelhanos podiam chegar como várias vezes tentaram e fizeram. Sendo do distrito da Guarda, egitaniense portanto, tenho inclinação para revisitar esta zona raiana, que tem a sua especificidade, desde logo os castelos, todos diferentes e muito graníticos. Há também, uma relação de proximida- de com os do outro lado, marca que vem dos tempos do fascismo, quando o contrabando era o ganhapão de muitos, em ambos os sentidos. Recordemos o conto “Fronteira” de Miguel Torga e a “Noite e a Madrugada” de Fernando Namora, que retratam os duros tempos em que tudo era proibido. Assim, desta vez, foi possível subir a Castelo Mendo e Castelo Bom, duas dessas aldeias históricas do distrito da Guarda, ambas do concelho de Almeida e próximas de Vilar Formoso, postadas ao longo da fronteira com Espanha, como vigias, na Idade Média dizia- -se apenas Castela, hoje região autónoma de Castela Leão. Castro Mendi, nome que Castelo Mendo teve no século XIII, foi uma cidadela de formato oval, onde se enquadrava o burgo ve- lho, foral de D. Sancho II. O burgo novo era guarne- cido por oito torres, des- truídas com o terramoto de 1755. Castelo Bom foi vila e sede do concelho durante 500 anos. Ergue-se em posição dominante num cabeço rochoso, sobranceiro ao rio Coa, cuja travessia vigiava. Foi disputado pelos dois vizinhos, acabando por ficar Português com o tra- tado de Alcanizes. Por aqui se podem ler páginas dos fundamentos da portugalidade.

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