Eleições

No próximo domingo vamos escolher os nossos representantes. Porventu- ra porque os conhecemos, nestas eleições, a abstenção é menor, sem deixar de ser elevada. Esta contradição da democracia, a decisão de alguns que vai condicionar o destino de todos, foi abordada por Saramago no romance Ensaio sobre a Lucidez: 3 partidos, PDE (partido da esquerda), PDC (p. do centro) e PDD (p. da direita), numa votação nacional, em certa cidade, contam apenas 17% do total dos votantes, sendo os restantes votos em branco. O autor, com convicções políticas conhecidas ignorando que, como se passa na realidade, a maior parte dos votantes pode decidir-se pela abstenção, reflete assim sobre a legitimidade e pânico dos Governantes que, naquela cidade, identifi- cam, sem entender, o aparente desinteresse dos cidadãos. Podemos argumentar que estas pessoas, não cumprindo o seu dever cívico, deixam de poder opinar nas decisões que posteriormente vão ser tomadas. No entanto, a sociedade não poderia funcionar sem o seu trabalho e sem as suas contribuições pelo que, embora não votem, têm legitimidade para contes- tar as decisões que influenciam a sua vida, porque contribuem decisivamente para o funcionamento da sociedade. Talvez seja melhor procurar a razão desse desinteresse nos maus exemplos dados pela maioria dos políticos! Outra contradição: as eleições Alemãs – um partido de tendências Nazis, antidemocrático, obteve representação parlamentar, utilizando assim a democracia para se legitimar. Nesta breve reflexão, em que compartilho algumas perplexidades da democracia, apelo ao voto porque, como dizia Churchill, a Democracia é o pior dos sistemas, tirando todos os outros.

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