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Eucaristia referência da espiritualidade

As pessoas mostram hoje sede de espiritualidade. Apesar do materialismo reinante, da cultura da superficialidade e da dependência da imagem exterior, nota-se também o anseio de vida interior. Podemos ver nos nossos contemporâneos bastantes sinais de procura de encontro com Deus que dê sentido e apoio à existência humana. Em resposta a esta procura difundem-se, por vezes, correntes de espiritualidade desviadas da fé que iludem muita boa gente, como espiritismo, magia, superstição. Mas existem também muitas formas boas e variados grupos de oração ligados a espiritualidades peculiares dentro da tradição cristã e em comunhão com a Igreja, como “Oração de Taizé”, de Convívios Fraternos, e de vários Movimentos Eclesiais, de grupos de leitura meditada e orante da Bíblia. E há ainda a procura pessoal de lugares e momentos de encontro com o mistério de Deus, como, por exemplo, na visita ou na peregrinação a Fátima ou a outros santuários. Estas manifestações mostram-nos
que o apelo de Deus se faz sentir no coração dos homens de todos os tempos, mesmo na nossa cultura agnóstica. A procura de espiritualidade, ao revelar abertura ao mistério de Deus, desafia os crentes a valorizar e aperfeiçoar as oportunidades de oferecer experiências sólidas de oração e de encontro com Deus, como é o caso dos Movimentos e lugares atrás referidos. Mas sem esquecer que a fonte e a referência da espiritualidade cristã é a participação esclarecida e ativa, interior e exteriormente, na Eucaristia. Na verdade, notamos, às vezes, que vários crentes participam com entusiasmo nos encontros de oração dos referidos grupos e movimentos e se sentem identificados com essas espiritualidades, ou vão devotamente a Fátima, mas faltam com facilidade à missa do domingo. Nesta sentem-se estranhos. Algo está mal e deve questionar-nos. Precisamos, realmente, de cuidar mais atentamente da espiritualidade e da participação festiva dos fiéis na missa. Na realidade, segundo ouvimos, há algumas celebrações eucarísticas muito doutrinais, ou muito centradas no presidente, ou, então, com deficiente espiritualidade e escasso envolvimento da assembleia. Hoje, porém, não basta apelar ao cumprimento do preceito dominical. Por este caminho dificilmente se podem motivar os fiéis, particularmente os mais jovens, para a participação na missa do dia do Senhor. Não resulta, igualmente, lamentar. É necessário agir e renovar a forma de celebrar a eucaristia do domingo, dando lugar e preparando bem os intervenientes na celebração, acolhendo cordialmente os participantes, cuidando da homilia, valorizando os momentos de silêncio, relacionando a celebração com a vida das pessoas e a cultura local. Numa palavra, procurando que a celebração da eucaristia dominical seja o cume e a fonte da vida cristã e se torne um encontro regenerador com Deus e com a comunidade cristã que leve a regressar à vida com mais esperança e alegria.

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