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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Por Telma Gomes*

Hoje escrevo-vos sobre uma dúvida frequente que muitos donos têm: esterilização/ castração. Devo esterilizar o meu cão/gato? Com que idade? Como é o procedimento? E o pós-operatório? E a cicatriz? E…? Tantas dúvidas surgem sobre este tema, que deve cada vez ser mais falado e discutido, por forma a evitarmos a sobrepopulação e o abandono de animais, um grave problema educacional, social e de saúde pública. Para contextualizar aquilo de que estamos a falar, a esterilização de fêmeas e machos (esta mais frequentemente conhecida por castração), consiste na remoção de um ou mais órgãos reprodutores. Normalmente, em cadelas e gatas opta-se pela remoção dos ovários e útero, embora já esteja descrita também a remoção apenas dos ovários, e, nos cães e gatos, na remoção dos testículos. Existem várias técnicas cirúrgicas para o efeito, cada cirurgião decide a que deve usar com base na sua experiência pessoal e no próprio paciente.
E devo esterilizar o meu animal? Sim! Porquê? Por várias razões: a mais imediata, e transversal a machos e fêmeas é, naturalmente, a prevenção de ninhadas indesejadas e consequentes adoções forçadas e irresponsáveis, que muitas vezes culminam em abandono. No que diz respeito às diferenças específicas, nas fêmeas, previne a ocorrência de infeções e de tumores mamários, normalmente, malignos e fatais; previne a ocorrência de infeções uterinas, cuja resolução é cirúrgica; previne a ocorrência de pseudo-gestações, ou gravidezes psicológicas e ainda, talvez o que seja mais óbvio para o dono, permite acabar com os cios – e quem tem uma gata em apartamento deve estar agora a lembrar-se daqueles miados aflitivos e contínuos, que se ouvem do 2.º andar para a rua! No que diz respeito aos machos, pode dar uma ajuda em termos comportamentais, evitando as marcações de território e comportamentos mais agressivos, bem como, evita que se envolvam em brigas e
acabem por contrair doenças infeciosas, como a sida felina ou a leucemia viral, muito comuns em gatos com acesso à rua. Em cães, é ainda uma técnica essencial no controlo de algumas doenças prostáticas. Normalmente, recomendo este procedimento por volta dos 6 meses de idade: em fêmeas, o ideal é ser ainda antes do primeiro cio, em machos, também é conveniente ser antes de atingirem a maturidade sexual, para que o controlo comportamental seja máximo. O seu animal continuará brincalhão como antes, e a sua cadela não ficará mais imatura por não ter nenhuma ninhada. Embora não deixe de ser um procedimento cirúrgico e implicar sempre algum risco, este é controlado, e a recuperação é rápida, normalmente os pacientes têm alta médica no próprio dia. Não se esqueça, fale com o seu veterinário, que certamente irá esclarecer-lhe todas as dúvidas.

* Médica veterinária

telmaveterinaria@ gmail.com

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