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Coisas e cenas & cenas e coisas

Quando num qualquer ambiente, seja ele de lazer ou até mesmo de trabalho, não há assunto… fala-se de quê? Fala-se do tempo! E ouvem-se conversas do género: – Vejam só o trambolhão que o tempo deu… ainda há dias estavam 40º graus e agora chove e estão 20 e poucos. Até parece que já estamos no outono.  – É verdade, este ano ainda não houve verão a sério.  – Ai, ai, no nosso tempo é que era. Parece que já não há estações do ano! Verões como antigamente! Lá está… para esta edição especial do nosso jornal “O Almonda” vou-vos falar do tempo.  Mas de um tempo muito especial… do tempo em que eu era criança (mais criança do que felizmente ainda sou hoje em dia.) Quando somos crianças o tempo é relativo. Sabemos que há horas para comer, dormir e brincar. Ahhhhh e também para tomar banho e lavar os dentes.  Curiosamente, há uns bons anos atrás havia mais a noção e fazíamos até uma certa distinção entre a semana e o domingo… eu por mim falo. Tinha roupa que era só para usar ao domingo. Caramba, eram tão giras essas roupas e o domingo demorava tanto tempo a chegar e depois passava num instante. A missa das 11 horas, o almoço sempre em formato melhorado e sempre com os quatro à mesa. Às três da tarde, o meu pai ia à bola e nós ficávamos por ali a ver um filme na televisão (televisão essa que só tinha 2 canais – RTP 1 e RTP 2… mais tarde, já eu tinha para aí uns 10 anos, inaugurou-se a SIC. Que foi o acontecimento do ano!) ou mesmo a jogar às cartas. Sim, a jogar às cartas! Canastra e crapô. Em que a minha mãe é especialista! E assim de repente, a tarde de domingo tinha passado. E eram tardes maravilhosas e sempre muito especiais.  Durante a semana, se estivéssemos em tempo de aulas, acordava-se bem cedo e quando voltávamos já só havia tempo para fazer os tpc’s, jantar e cama, mas se fosse nas férias grandes… uiiiiii aí o tempo dava para tudo.  Estupidamente ou não, tenho a noção de que tive sempre as melhores férias de verão que poderia ter tido! Acordar com a minha mãe a cantarolar enquanto fazia a lida da casa, ou então ao som da telefonia e sempre com o barulho de fundo da máquina de apanhar as malhas das meias e depois… depois podia fazer o que me apetecesse. Andar de bicicleta, ir ao banho ao tanque, brincar, brincar, brincar. Ahhhhh e ajudar o meu pai na horta. Sempre fui tão feliz a ajudar o meu pai na horta. O nosso quintal parecia sempre um jardim mas onde havia de tudo um pouco e em muito boa qualidade. Laranjeiras, pessegueiros, uma tangerineira, uma pereira, couves, nabiças, feijão verde, tomates, pepinos, batatas, agriões e morangueiros. E também tínhamos criação: pintos, galinhas e coelhos. E quando chegava setembro íamos quinze dias para a Praia da Nazaré! E o mês de setembro continua a ser o mês em que mais gosto de fazer férias na praia… saiba-se lá porquê! “Meu Deus, como o tempo passa, dizemos de quando em quando… afinal o tempo fica, a gente é que vai passando”. A todos desejo um feliz mês de setembro e me despeço porque tudo isto existe, tudo isto é triste (tem dias), tudo isto são COISAS E CENAS & CENAS E COISAS.

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