Do Passado ao Futuro

A poucas semanas de com- pletar 99 anos, a 24 de Novembro, o semanário “O Almonda” intenta, com um novo figurino, reajustar-se à aceleração do tempo histórico que manipula a sociedade contemporânea na sua globalização. O caminho não se apresenta fácil, numa época em que a informação escrita sofre o assalto vertiginoso da imagem, e mesmo esta, como as televisões, a serem ultrapassadas pelo instantâneo precário das redes sociais, do telegrama do digital. Para quem, neste semanário, possui uma experiência de colaboração voluntária desde a década de sessenta, um novo figurino e um novo programa são simultaneamente um aviso e uma proposta. A primeira constatação que os novos projectos merecem é de aplauso. O tempo tudo muda e o que ontem foi efígie, hoje é modelo ultrapassado. Mas nunca o tempo muda tudo. A árvore ramifica-se e os novos rebentos não ignoram a raiz e o tronco em que se incrustam. E se “O Almonda”, ao longo de um século, conheceu diversos tamanhos, vários directores, múltiplos objectivos, nunca se libertou da seiva que lhe percorreu o corpo em mutação: a religiosidade associada ao regional, numa simbiose que se tornou essência na diversidade dos tempos e dos objectivos, no respeito pela multiplicidade da sua colaboração. Curiosamente, criador de histórias, nunca teve quem lhe escrevesse a história quase secular sendo, durante quase cinquenta anos, o memorial único do devir do quotidiano concelhio, quer na sua religiosidade, como na política, na cultura, na educação, no lazer, no associativismo, no desporto. Se não é possível, sem documentação autárquica e das associações e colectividades, conhecer os caminhos da sociedade torrejana durante o século XX, impossível fazê-lo sem a leitura do quotidiano de que “O Almonda” foi o meticuloso cronista semanal. Nesta nova viragem, se o futuro começa agora neste presente complexo, não se ignore o tempo longo do passado no seu papel de memória e capacidade criativa. Nas páginas que estão por surgir inscrevem-se já as alegrias e os sonhos, a esperança e a diversidade dos que, nesta cadeia de semanas dum século, lhe deram corpo, nome, projecção e objectivos. Os novos caminhos não nascem do vazio. Os novos companheiros, director ou colaboradores, têm sobre os ombros uma responsabilidade secular. Eis que começa o presente. Que seja fecunda e longa a próxima viagem!

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