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A regra e a exceção

Em todo o mundo civilizado, a vida social está organizada com regras e normas cujo respeito e prática tornam as nossas relações pacíficas e harmoniosas. Quando essas normas se esquecem ou propositadamente não se respeitam, estabelece-se a desordem, o caos e, quantas vezes a “guerra”. Assim, não pode haver verdadeira civilização sem regras e quem as desrespeita sofrerá uma penalização. Daí as leis, os regulamentos, os governos e as instituições. E o que sucede com as normas sociais, sucede com os chamados costumes ou com a moral. A palavra costumes derivou da palavra latina mos-moris, que significa precisamente costumes e que se foram estabelecendo ao longo dos anos e dos séculos e que, muitas vezes, mudam dado que o homem é um ser em contínua mudança. Acontece que muitas normas, muitos costumes se modificam ou caem em desuso. Então acontece algo de estranho: o que antes era normal passou a ser anormal, aquilo que era a regra passou a ser a exceção. Contudo, no meio de todas as transformações, no meio de todo o progresso, o homem causa e sujeito de tudo isto, continua a ser o mesmo: as mesmas paixões, os mesmos desejos, os mesmos limites tantas vezes impostos por um corpo físico limitado e mortal. Pelos escritos egípcios, assírios, gregos ou romanos verificamos que esse homem permanece igual a si próprio no mal e no bem, na grandeza e na miséria, no amor e no ódio. Sabemos também que nunca foram as maiorias que impuseram as grandes mudanças. Estas foram sendo impostas pelas minorias que se tornaram, por sua vez, maiorias. Mais uma razão para não sermos inflexíveis e obtusos. Não há norma que nos diga: isto ou aquilo é anormal, este comportamento é anormal, esta ideia é anormal. Mas, e isto é muitas vezes esquecido, uma árvore é uma árvore, uma pedra é uma pedra, um homem é um homem, uma mulher é uma mulher. Porém teremos que ser suficientemente racionais para admitirmos que uma árvore muito retorcida é uma árvore, que uma pedra com feitio estranho não deixa de ser pedra e que um homem ou uma mulher não deixam de o ser por mais estranho que seja o seu comportamento. Porque aquilo que hoje é anormal amanhã será normal, aquilo que hoje era regra amanhã será exceção.

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