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Deambulando pela História e meditando sobre a Europa das Nações (IV)

Por: Acácio Gouveia

O mundo, para além das fronteiras do velho continente, mudou. Tragicamente, os europeus continuam a não ver muito mais para além dos próprios umbigos. A Europa contabiliza- va na viragem do século XIX para o XX 20% da população mundial, hoje somos menos de 8%. A Europa deixou de deter o monopólio do conhecimento científico
Por Acácio Gouveia Deambulando pela História e meditando sobre a Europa das Nações (IV) É assustador constatar que os cidadãos do velho continente, mais versados em futebol que em história ou em geoestratégia, continuam agarrados ao paradigma que ruiu inexoravelmente ao longo do século XX. Presos a conceitos nacionalistas e retrógrados, baseados em teses pseudo-históricas, avaliam mal a relevância das respetivas nações e sobrevalorizam a capacidade de manterem a real soberania sobre os seus destinos.
e tecnológico e já não é o centro do desenvolvimento económico. Para além disso perdeu, no século XXI, o protagonismo ideológico e deixou de ser vista como modelo de organização social e política. A democracia já não é um referencial exportável para outros povos. Em suma: O mundo mudou e a influência das nações europeias,
ninguém se iluda, está a desvanecer-se. Os populistas antieuropeístas, iludidos com grandezas passadas, recusam-se a enfrentar esta realidade. A Europa tem hoje inimigos e rivais poderosos e enfrenta ameaças inéditas nos últimos 1200 anos. São óbvias as intenções hostis de Erdogan, materializando-se numa ofensiva arrogante, afrontando a soberania de nações no coração da Europa. A Rússia não se dá ao trabalho de esconder as seus intentos anexionistas, expandindo-os aos países bálticos e à própria Finlândia. Da América, desde a eleição de Donald Trump, os europeus contam mais do que com o fim duma aliança: anteveem uma ameaça. Todos os três declaram a seu antagonismo para com a União Europeia e, com a exceção compreensível da Turquia, apoiam explicitamente os movimentos populistas e xenófobos da extrema direita. Querem uma Europa fra
ca, dividida em nações frágeis e rivais, à mercê dos seus ditames. Assim sendo a Europa das nações arrisca-se a tornar-se uma segunda Itália do século XVI, com as três potências – Rússia, Turquia e EUA – a repartirem entre si zonas de influência e digladiarem-se sobre os despojos da União, sobrando alguns pedaços para chineses, angolanos, brasileiros ou outras potências emergentes. Nesta ordem de ideias, Marine Le Pen (e demais líderes da extrema-direita e direita) não é uma herdeira do nacionalismo gaulista, mas do sim servilismo “petanista”. A sua aproximação a Putin e Trump deixa poucas dúvidas sobre a sua simpatia pelo exercício do poder de forma autocrática e pelo obscurantismo. Curiosamente, os nossos populistas de esquerda, hostis à UE, não parecem ter-se apercebido da desconfortável posição de aliados do
capitalismo selvagem de Trump, ou do fundamentalismo islâmico de Ancara, ou ainda do chauvinismo eslavo em que se colocam. O preço a pagar por pretensas soberanias reconquistadas à UE, será a perda de força de cada um dos países e previsí- vel submissão a terceiros. Isto é: a luta pela soberania dos povos europeus, cada um por si, arrisca-se a resultar numa paradoxal perda das suas respetivas autonomias. Além disso, o regresso à Europa das nações comporta o risco do reacender as rivalidades, que facilmente podem degenerar hostilidade aberta entre povos e nações e atrair a intervenção de terceiros. Portanto, uma evolução em direção ao reforço das fronteiras pode resultar num acicatar de conflitos. Os europeus divididos entre soberanias ilusórias, separados por fronteiras menos estáveis do que se possa supor, poderão ver-se
O mar estava uma baía, tal e qual como nos meus tempos de infância onde podíamos brincar à beira-mar e chapinhar na água. Um banho salgado refrescou-me abrindo-me o apetite para um almoço leve. Após as 16h30m voltei à areia. O “ terreno” encontrava-se quase totalmente ocupado, mas lá consegui estender a toalha perto das rochas. De repente, ouço uma mãe a dizer para o filho: “ – Jean Pierre põe o chapeau por causa do soleil”. E o filho responde: “– Oui mamã.” Todos sabemos que os nossos emigrantes vêm a Portugal no mês de Agosto para visitar os seus familiares e passarem férias. No entanto já me perguntei inúmeras vezes porque não falam eles português quando chegam ao seu país. Muitos deles têm uma pronúncia tão má que até arrepia e depois falam muito alto, parece que se querem fazer notar. Adeus Agosto, olá Setembro
Numa sexta-feira de Agosto regressei à praia da Nazaré. O tempo estava esplêndido e o areal já se encontrava com alguns chapéus-de-sol, toalhas, geleiras e, claro, as pessoas.
Respeito as pessoas que saíram de cá para lutarem por uma vida melhor, mas é pena que alguns se esqueçam das suas verdadeiras raízes, da sua cultura. Uma dia destes uma senhora amiga ouviu um emigrante contrariado por algo, dizer que Portugal era uma m…
Também há quem diga que em França é que é bom, os médicos são do melhor e cá não prestam. Outro engano crasso, esquecem-se que em França também morrem pessoas nos hospitais e que nem sempre a realidade é tão real e fiel. Em Julho as minhas vizinhas de barraca, esta
vam emigradas no Canadá há muitos anos, mas falavam correctamente português e nunca as ouvi dizer mal da terra que as viu nascer que por acaso foi em Alcorochel. As suas conversas baseavam-se nas histórias que passavam e ainda passam na aldeia. E isso é de louvar, pois são
humildes e não cospem no prato onde comeram. Agosto está de malas aviadas e lá vem Setembro com a mudança de tempo, a queda da folha e será a época da vindima. Olá Setembro, que nos tragas muita saúde, alegria e energia positiva. Aguianegraenator2gmail.com
entregues a conflitos por procuração. Em resumo: a ideia da Europa das nações baseia-se, em larga medida, numa avaliação histórica distorcida e num eurocentrismo tão arrogante quanto desatualizado: (i) Nem todos os estados nação europeus são dignos desse nome. Vários países são criações recentes sem raízes históricas e várias fronteiras apresentam potencial instabilidade. (ii) A real soberania das nações não é proporcional à impermeabilida- de das suas fronteiras. (iii) A relevância de de qualquer país europeu isolado está em declínio insofismável no xadrez geopolítico mundial. Face ao novo panorama mundial o federalismo não pode deixar de ser considerado como opção para o futuro da Europa. A forma e o timming da sua concretização são matérias em aberto.

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