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Leitura Orante da Bíblia

Pretende esta coluna do Almonda despertar os leitores para a importância da vida interior e recomendar alguns exercícios que ajudem a cultivar esta dimensão da pessoa humana. De facto, para alcançarmos uma existência harmoniosa, fecunda e feliz, precisamos que o desenvolvimento da vida interior acompanhe o crescimento em idade. Ora um dos exercícios fundamentais e muito atual para promover esta parte espiritual da vida é a leitura orante da Bíblia. Na fé judaico-cristã foi assim desde as origens e hoje são muitas as pessoas que voltam a redescobrir a riqueza desta prática. A Igreja Católica, ao longo da sua história, constantemente venerou as Sagradas Escrituras pois nelas encontra a Palavra de Deus sempre atual. Sobretudo na celebração da liturgia, as Escrituras ocupam, em todos os tempos, um lugar de relevo na vida cristã. Na realidade, porém, até ao Concílio, o facto de as leituras bíblicas serem proclamadas em latim e o reduzido lugar da Bíblia na pregação e na piedade cristã, tornaram as Escrituras pouco familiares e de acesso difícil para o comum dos fiéis. Lutero deu-lhe grande relevo mas a controvérsia protestante não favoreceu antes desmotivou os católicos da leitura da Bíblia. Como sempre as polémicas destacam aspetos parciais e levam a perder a visão de conjunto. É sobretudo a partir de meados do século passado, com a renovação da teologia e com o Concílio Vaticano II (1965), que a Igreja Católica recomenda o contacto assíduo com a Palavra de Deus presente nas Escrituras e procura que todo o povo de Deus se familiarize com a Bíblia. As leituras da liturgia passaram a fazer-se em língua vernácula, publicaram-se muitas edições da Bíblia, promoveram-se cursos e semanas bíblicas com adesão interessada de fiéis. Muita gente adquiriu uma Bíblia. Mas habitualmente ficou esquecida numa estante ou numa gaveta. Para muitos que a adquiriram continuou a ser como uma floresta virgem e não se descobriu a beleza das árvores. Realmente a Bíblia é muito extensa, integra muitos livros, de épocas e estilos diferentes. Precisamos de pedagogia e de programa para adquirirmos o gosto pela escuta interior da Palavra de Deus na Bíblia. O Concílio Vaticano II, na Constituição “Dei Verbum”, e o Magistério da Igreja no Pós-concílio, com destaque para o Sínodo de 2008 sobre a Palavra de Deus (“Verbum Domini”), insistiram na pedagogia da “lectio divina” (leitura orante) que cada um pode exercitar pessoalmente ou em grupo. Tenho praticado em bastantes grupos, designadamente em encontros de jovens para o Crisma, rezando e meditando um salmo, e noto como participam ativa e interessadamente. Com esta finalidade publicámos as edições de bolso tanto do Evangelho de São Lucas como dos Atos dos Apóstolos, acrescentando alguns salmos. Desejamos, deste modo, colocar a Sagrada Escritura ao alcance de todos os fiéis para que os oriente no encontro com Deus e os ilumine nos seus caminhos.

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