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Sobre Música e Músicos

Quanto mais vejo homens diferentes, tanto mais observo que todos possuem a mesma sensibilidade para a música: todos têm uma intuição, ainda que grosseira, do ritmo e do som, sem terem noções de escalas de música, tempo e ritmo; todos adquiriram certa noção de música, sem ler partituras ou tocar um instrumento, assim como todos adquiriram naturalmente a fala, sem ter aprendido gramática. Entre os gregos as musas eram as divindades de inspiração das artes poéticas. Assim Calíope presidia à poesia épica e à eloquência; Melpomene à tragédia; Tália à comédia; Polím
nia à poesia sagrada e meditativa; Érato à poesia amorosa; Clio à história; Euterpe à poesia lírica; Terpsicore à dança e Urânia à astronomia. Era comum entre os gregos a concordância de que a música, por subjugar e arrebatar a alma humana mais que as outras artes, fosse chamada pelo nome das nove deusas do espírito, pois nela todas as outras se reuniam. Daí chamaram o som, o ritmo e o tempo em harmonia, de música, tirando o seu nome das nove deusas da inspiração: as musas. Ainda na Grécia antiga, os viajantes, extenuados pela árdua caminhada, disfarçavam a monotonia do caminho assobiando e cantando; os mari
nheiros, vendo o ritmo dos remos batendo nas águas, criaram canções praieiras; os soldados regulavam seus passos cansados, renovando-os ao som da marcha guerreira. E ainda hoje, quando nos sentimos oprimidos pela mesquinhez dos homens e das coisas ou pela melancolia das vicissitudes, ligamos o som, procuramos um disco, discamos qualquer aparelho eletrónico ou nós mesmos, através de algum instrumento e na falta deles, com a nossa própria voz, entoamos canções que nos fazem sair das fronteiras da terra. Platão dizia que toda a educação da alma, era a educação da música. A estrutura científica da mú
sica é a matemática. Ela é uma arte que para ser executada exige formação e treino. Saber respirar é da maior importância. Atacar e abandonar uma nota com precisão é um dom para poucos. Alguns, misteriosamente, nascem com os sons na cabeça e sem qualquer formação encontramos vozes articuladas, instrumentistas, sem nenhuma técnica, ritmados; crianças com timbre afinado. Hoje em dia as Belas Artes deram um lugar comum à música, colocando-a na mesma gaveta da arquitetura, escultura, pintura, poesia e dança. Pior que isso foi a indústria fonográfica que incluiu a música na indústria cultural, que financia e divulga uma arte de má qualidade, sem melodia, sem poesia, sem criação artística. Eu particularmente não gosto de cantores que entoam melodias e discursos sem fazerem nem uma coisa nem outra, como os Rap- pers. Tudo isso empobrece a arte e ensina mal o que deveria ser bem ensinado. Os antigos julgavam a música com prerrogativas mágicas, como expulsar maus espíritos, chamar a divindade ao lugar sagrado e davam-lhes o poder
catártico de purificar e abençoar. Os hebreus empregavam-nas no culto divino, deles recebemos os salmos bíblicos e as metáforas de Jesus. A música sempre foi para o homem a manifestação mais solene de adoração do divino, alívio da dor, oração de amor e ação de graças. Antero Guerra apresentou-me Vic James, na sua casa, curioso fui vê-lo tocar e cantar: é música por todo o corpo. Genial!

Vic James, é música por todo o corpo

Durval Baranowske, diretor

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