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Por Esta Estrada

                                                          PARA ONDE VAMOS?

Há um século o mundo estava mergulhado num terrível conflito centrado na Europa: a Primeira Grande Guerra.

Esta deixou um rasto de destruição e morte que deixou a humanidade a não querer cair em nova guerra. Mas não.

Em breve teríamos aí a guerra civil de Espanha de hedionda crueldade fratricida e logo, de imediato, o apocalipse da Segunda Guerra Mundial. E tivemos os campos de concentração, os genocídios…o triunfo da desumanidade, a destruição do homem. E o homem não aprendeu. E parecem não ter razão aqueles que dizem ser a História a mestra da vida.

Precisamente, há um século, em 1917, a Europa atolava-se em lama e sangue nas trincheiras da Flandres, como um barco à deriva, parecendo não ter futuro, questionando o seu destino. Hoje a Europa não está em guerra, embora, aqui e ali de forma latente o conflito espreite e ameace. Mas sem guerra, há contudo uma profunda inquietação e incerteza nesta Europa da União. A crise política, social e económica continua a ameaçar a sociedade. Porque a cada momento se nega a solidariedade entre povos; porque os interesses financeiros se sobrepõem ao ser humano; porque o sucesso da banca está primeiro do que a dignidade da pessoa.

Pensava-se que com a União Europeia se caminhava não só para um ideal de paz mas também para um tempo de justiça e de distribuição equitativa da riqueza. Mas não. Os interesses de alguns povos sobrepõem-se, injustamente, aos de outros, O bem-estar de alguns é mais importante que o bem-estar de todos.

A Europa de hoje já não é a de há um século. Mas a paz e a coesão que se vive nunca são realidades conquistadas definitivamente. Estamos num mundo ameaçado pelas más políticas dos que governam, pela corrupção, pela decadência cultural. E nos tempos recentes uma ameaça real, concreta que pode surgir em qualquer lado e que traz aos povos apreensão e intranquilidade: o terrorismo. O terrorismo ameaça a segurança em qualquer lugar a qualquer momento. Esta é uma nova forma de guerra.

Estamos, sem dúvida, numa encruzilhada sem sabermos para onde vai a Europa, inquietos com o dia de amanhã. Se devemos continuar a desvendar horizontes de esperança para a nossa estrada comum, não podemos ignorar que estes são tempos conturbados.

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Por esta estrada chega ao fim. Hoje termina esta coluna. É da natureza das coisas: o que começa acaba. Agradeço aos leitores sempre amáveis, sempre simpáticos. Agradeço aos que tantas vezes manifestaram o seu acordo como agradeço aos que manifestaram a sua discordância. O mundo é feito de muitas e diversificadas vozes. Tranquilizo-me porque sempre me bati, frontalmente, pelas causas que considero justas. Recusei a indiferença e aceitei olhar a realidade.

                                                                                                                              Eduardo Bento

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