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Ultrapassar medos

Há muito tempo que me apetecia lá voltar. Não foram 5 ou 10 anos, mas sim há cerca de 30 anos que não entrava na água das piscinas de Torres Novas. Estava um pouco ansiosa pois não sabia o que ia fazer. No sábado passado fui. Nadar não sei e muito menos mergulhar, apenas sei boiar. Mas decidi que algo haveria de fazer. Ao entrar nas instalações fui atendida por um simpático funcionário que me aconselhou a ter calma e a deixar-me ir. E assim fiz. Entrei na água e consegui respirar normalmente. Agarrei na prancha com as mãos e deslizei suavemente. Concentrei-me e já não me preocupei se olhavam para o que eu fazia. E naqueles momentos recordei as aulas de Educação Física quando a minha professora me chamava a atenção: “_ Madalena levanta as duas pernas”. Eu esticava uma e a outra ficava no chão. Naqueles anos tinha um pavor enorme da água do mar ou das piscinas.

Outro dos meus medos era andar de escada rolante. Simplesmente porque um dia coloquei o pé mal ao descer e cheguei lá abaixo sentada. A partir desse dia preferia mil vezes subir escadas. Outra recordação foi de subir dois lances de escadas na Baixa Chiado. E mesmo ao lado a escada rolante. Nem sei como não me deu uma coisinha má.

Outro episódio hilariante foi no Rio de Janeiro ao visitar o Cristo Rei tinha de ir de escada rolante. Como entrei em pânico, a guia turística e um senhor muito alto pegaram em mim e levaram-me.

Outro medo, aliás nem é bem medo, mas sim repugnância é ver um rato, seja ele mesmo rato ou hamster. Nem parece que fui criada no campo e vi muitas vezes esses roedores. Outra situação caricata aconteceu quando eu trabalhava numa escola secundária de cá. Estávamos em época de limpezas e uma colega encontrou um rato morto. O bicho não se mexia mas eu e outras colegas subimos para cima duma cadeira.

Mas os medos podem ser ultrapassados quando a vida nos prega partidas. Sabem como perdi o medo de andar na escada rolante? Foi há 12 anos quando sabia que tinha cancro e após ir rapar o cabelo fui ao shopping e decidi que a partir daquele dia nunca mais iria ter medo de escadas rolantes. E consegui.

O medo da água do mar foi quando percebi que para poder respirar melhor teria de obrigar-me a ir ao banho de água salgada e com iodo durante as férias.

Por último ainda não perdi o medo dos ratos, mas tudo a seu tempo. (risos).

Todos temos os nossos medos e fobias, mas temos de acreditar que somos capazes, que somos fortes e se gostarmos mesmo de cá andar temos de nos valorizar como ser humano que somos.

Madalena Monge

aguianegraenator@gmail.com

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