Home > Sociedade > Alcides Baião, “Já nasci a desenhar, esta é a minha forma de realização”

Alcides Baião, “Já nasci a desenhar, esta é a minha forma de realização”

A pronuncia brasileira da Baía, não engana em relação às origens de Alcides Baião, e por terras de Árgea, é conhecido como o artista plástico brasileiro, apesar de já serem mais os anos passados em Portugal do que no Brasil. Em Árgea dá asas ao talento, bem patente nos trabalhos “escondidos” no seu atelier.

Aqui constituiu família, aqui criou as suas raízes, como o próprio afirma, numa terra onde gosta de viver, dada a sua calma e tranquilidade.

“Encontrei o meu sítio”, afirma.

Alcides Baião sempre se lembra de gostar de desenhar, desde criança.

“Já nasci a desenhar, sempre com muito apoio dos meus pais, mas com alguma relutância em me assumir artista plástico, porém o que me sai das mãos mostra alguma facilidade de transformação. Esta é a minha forma de realização. Há algo que se funde e me transforma no que estou a fazer”, explicou.

“Não me preocupo com a reforma ou com a velhice, esta vida é uma passagem. O meu objetivo é cumprir o meu papel”, acrescentou.

Perfecionista por natureza, Alcides defende que quando se lança num novo trabalho, há que fazê-lo perfeito e mesmo quando parece que a obra está finalizada, há sempre alguma coisa a melhorar.

“Houve uma altura em que pensei que estava tudo feito, que mais nada havia para fazer ou a acrescentar, nesse dia comecei a trabalhar o barro, a madeira e o linho. A arte é o fazer e criar todos os dias um bocadinho. Um quadro nunca é uma obra concluída, mas é sim um passo para dar vida ao próximo. Gosto de sujar as mãos e fazer aquilo em que acredito”.

No seu atelier, encontramos desde grandes telas a trabalhos mais pequenos, mas em todos se observa uma expressividade e um talento singulares.

“Preciso desse reconhecimento do público”, por vezes muito graças às redes sociais da internet onde vai apresentando as obras mais recentes e recolhendo os mais favoráveis comentários, assim como os que resultam da observância das exposições nacionais e estrangeiras.

Os trabalhos são na maioria a acrílico e óleo e resultam da técnica da imagem invertida com recurso a um espelho, confundindo a mente mas engrandecendo a beleza dos seus trabalhos.

“E para quando uma exposição em Torres Novas?”, quisemos saber.

Temos muitos artistas torrejanos que são ignorados”

“Sim, gostava de fazer uma exposição em Torres Novas e de repartir os meus trabalhos com a comunidade torrejana, mas não me quero impor. Se tiver de acontecer que seja espontâneo. É importante esta convivência com as pessoas e desta relação nasce muita coisa boa. Porém, o concelho de Torres Novas tem tendência para me ignorar. Mas não sou o único. Temos muitos artistas torrejanos que são ignorados. E, a arte não é feita para ficar entre quatro paredes. Faz falta em Torres Novas um polo cultural aglutinador que se largasse às artes plásticas. Um povo sem cultura não existe. A cultura é vida”, respondeu, afirmando que apesar do suposto esquecimento a que está votado, tem a perseverança e o otimismo no horizonte.

Às dezenas e dezenas de telas pintadas que soma no atelier, juntam-se agora as peças em barro e a madeira trabalhada com o algodão que está a resultar em obras muito originais, cheias de cor e onde não falta uma plena harmonia.

Célia Ramos

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *