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Documentos para a História do Concelho de Torres Novas – 5

No último artigo vimos a importância dos registos paroquiais na investigação duma determinada comunidade e referimo-nos, com seu registo, às freguesias urbanas de Torres Novas.

Vejamos, hoje, o que se conhece em relação às freguesias rurais do concelho, até 1910, quando o seu registo se encontrava sob a égide do clero paroquial.

Registos Paroquiais das Freguesias Rurais do Concelho de Torres Novas[1]


Freguesias

Igrejas

Mistos

Baptismos

Casamentos

Óbitos

Nº de livros

Alcanena

S. Pedro

1747-1938

1761-1773

1811-1839

1861-1872

120 (A)

Alcorochel

NªSra Purificação

1664-1727

1727-1760

1714-1845

1722-1756

199

Assentis

Nª Sra Purificação

1572-1593

1655-1687

1617-1711

1658-1698

210

Brogueira

S. Simão

1611-1694

1672-1711

1695-1712

1639-1694

209

Bugalhos

Nª Sra da Graça

1631-1718

1694-1763

1761-1810

1812-1830

132

(A)

Lapas

N.Sra da Graça

1595-1614

1789-1841

1707-1794

1671-1757

229

Minde

Nª Sra da Assunção

1877-1883

1807-1839

1807-1822

56 (A)

Monsanto

Divino Espírito Santo

1774-1842

1811-1820

1811-1852

1860-1910

29

(A)

Olaia

Nª Sra do Ó

1862-1872

1725-1757

1764-1787

1733-1757

214

Paço

Nº Sra do Pranto

1862-1872

1732-1776

1738-1834

1860-1910

167

Parceiros de Igreja

Nª Sra das Neves

1872-1872

1814-1844

1860-1909

1860-1903

207

Pedrógão

S. João Baptista

1600-1725

1767-1832

1868-1909

1860-1909

190 (B)

Ribeira Branca

Nª Sra da Conceição

1602-1706

1568-1678

1566-1690

235

S.Eufémia

(Chancelaria)

S.Eufémia

1862-1874

1706-1751

1677-1797

1697-1782

211

Zibreira

S.Sebastião

1742-1828

1860-1910

1667-1797

185


A -Segundo as listas cedidas pelo historiador alcanenense Gabriel Feitor.

B -A sede paroquial da freguesia era na igreja de Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora da Serra (Alqueidão). Foi mudada por decreto de 19 de Julho de 1876 para o lugar de Pedrógão.

Não integrámos a freguesia da Igreja Nova (Paialvo), que deixou de fazer parte do concelho, passando em 1869 para o de Tomar; nem a de Mira, que foi anexada ao concelho de Torres Novas ,após a extinção do concelho de Porto de Mós, a 7 de Setembro de 1895.

Mas, restaurado em 13 de Janeiro de 1898, Mira regressou à administração original.

Poucas monografias se debruçaram sobre estes registos, com excepção das de Pedrógão[2], Lapas[3], Olaia[4] e das que, a partir de 1914, constituíram a freguesia de Alcanena[5], indicadas no quadro com a letra A. Das restantes, não existem monografias, nem se conhecem (não significa que não hajam) estudos ou investigações, que permitiriam um melhor conhecimento do fluir da freguesia ao longo da sua história. Eis uma tarefa que competiria, coordenado pelo departamento cultural camarário, sob a responsabilidade do Arquivo Histórico Municipal, com o apoio das Juntas de freguesias, levar para diante, incrementando nos jovens universitários concelhios o estudo das suas localidades paroquiais.

A diversidade das datas documentais dos registos paroquiais das diversas freguesias demonstra que, embora os locais existissem desde a Idade Média, como o demonstram os estudos existentes sobre as suas confrarias, já citados em anteriores artigos, estavam sobre o controlo das igrejas paroquiais da vila, sendo os diversos registos feitos nos seus livros. Os seus verdadeiros registos mais antigos, autónomos, indiciam a criação da freguesia, mas há registos dalgumas anteriores a essa autonomia. Só no século XVIII, após o terramoto de 1755,é possível, pelo levantamento mandado fazer pelo Marquês de Pombal ao padre Luís Cardoso, falecido antes da sua publicação, que ficou conhecido por Dicionário Histórico de Portugal, ou Memórias Paroquiais, estabelecer uma lista completa das freguesias do concelho.[6]


[1] A data limite, como para os da vila, publicados em artigo anterior, é a de 1910.

[2] Geada, Maria da Conceição, Pedrógão de Aire, fontes e contributos para a sua História ,Município de Torres Novas, 2011

[3] Martins, Bertino Coelho, Lapas-História e Tradições; Lapas, Memórias e Etnografia, Col.Temas Torrejanos.

[4] Maia, Maria Helena; Poitout, Manuela, Batista, Luís, Árgea, História e Património, Col. Temas Torrejanos

[5] Feitor, Gabriel de Oliveira, São Pedro de Alcanena, 2015.Além das séries que amavelmente me cedeu.

[6] Santos, António Mário Lopes dos, O Convento do Carmo, ed. Misericórdia de Torres Novas, 2006. Sobre a evolução da população concelhia entre s séculos XVI e XVIII, 17/40.

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