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Selfies e beijinhos, muita parra e pouca uva

Não serão os selfies nem os beijinhos dos nossos governantes que solucionarão os problemas nacionais. Se não nos dermos conta desta realidade, o país jamais levantará a cabeça.

Este governo não malha mais na União Europeia por esta ainda lhe dar dinheiro. Logo que ela feche a torneira, irá bater a outra porta. É como um bom número de portugueses, servem qualquer rei desde que isso lhes dê lucro.

Visto que não têm petróleo nem ouro, deviam desistir de torrar dinheiro em gastos desnecessários para que andarem a pedinchar empréstimos na China, na Índia ou no Médio Oriente. Precisam de velar melhor pela independência e pelo futuro da nação.

Agora o milagreiro Santos da Costa até chegou ao ponto de não responder às perguntas que lhe fazem no Parlamento. Pensa não ser obrigação sua dar explicações aos deputados. Isto chama-se “bullying”.

O populismo do primeiro-ministro espelha como ele sobrevaloriza o seu peso político em detrimento das instituições de controlo. Tal como nos casos Erdoğan na Turquia ou Trump nos EUA, o fetichismo da ‘vontade nacional’ conduz à lei da maioria, que provou ser inimiga do progresso democrático e da tolerância à oposição.

Por muito que um determinado sector da sociedade portuguesa ainda admire as “madurezas” na Venezuela e o seu cortejo de fome e prepotência, continuamos a crer que a maioria dos nossos compatriotas não se converteu ao socialismo bolivariano para atribuir poderes ditatoriais ao primeiro-ministro. Recorde-se que dos 5.408.805 votantes nas Legislativas de 2015, só 1.747.685, ou seja 32%, votaram nele. Ficou em segundo lugar.

Não fosse o servilismo da comunicação social, com olho no “tachímetro”, outro galo cantaria. Ela beneficia igualmente do despesismo e da desorientação financeira. A opinião publicada, não coincide com a de quem não tira vantagem da partidocracia.

Quanto ao papel do Presidente Rebelo de Sousa nesta tragicomédia, vão-se confirmando hipóteses. Consta que tem bichos-carpinteiros e fica com urticária se passa mais de um quarto de hora sem se mostrar na TV. De ali, há pouco a esperar. Foi Winston Churchill quem reparou que “um conciliador é aquele que alimenta um crocodilo, na esperança de ser o último a ser comido por ele”.

Como podem pedir à população que se oriente pela ética republicana, quando dão exemplos deste jaez? É um facto: a ética está ausente da lista de preocupações dos finórios que nos desgovernam. Lembram-se das borlas dos Secretários de Estado para irem a França ver o futebol à custa da GALP? O caso foi encerrado sem demora pelos gabirus do costume. Idem no escândalo da CGD.

Estes abusos levam a que o povo se desinteresse pela política, pois vê que os governantes nunca respondem pelas falcatruas cometidas. Nada lhes acontece. Quantos aos eleitores, uns beneficiam do sistema e outros são adeptos de um partido como o podiam ser de um clube desportivo. Acham difícil reconhecer o engano, por isso deixam andar. Estão a ser descaradamente burlados, mas não se importam.

Aprenderam que a ética e a austeridade são apenas para quem não faz parte da casta dirigente. As sereias, desde os tempos de Homero, sempre atraíram os mareantes. Ora venha lá outra rodada que o contribuinte paga!

Pode-se definir a escravatura como sendo o roubo de 100% da produção laboral de alguém. A que percentagem deixará de o ser?

Não há pachorra para tanta hipocrisia.

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